Opinião

O poder de ter uma grande publisher apoiando um projeto Square Enix Collective é a iniciativa da grande japonesa para dar suporte à novos talentos

Produzir um jogo nem sempre é barato. Para estúdios pequenos, a solução pode estar nos crowdfundings (financiamentos coletivos), mas mesmo esse artifício tem grande chance de falhar. Um estúdio pequeno muitas vezes não tem a área de planejamento refinada a projetar à longo prazo o custo real de produção e nem sempre eles conseguem prever todas as dificuldades encontradas.

Em paralelo à isso, para os grandes estúdios que lidam com o outro lado da moeda, um jogo AAA envolve enorme investimento que precisa ter retorno. Nesse cenário, a solução encontrada muitas vezes é requentar ideias que dão certo, e com isso vemos muitas continuações de uma franquia, ou até novos projetos que não fogem tanto do cenário atual.

Analisando por esse prisma, encontra-se hoje a Square Enix Collective, que parece unir as duas coisas. A ideia da grande publisher foi criar uma divisão que funciona como uma plataforma de curadoria, onde pequenos developers tem a chance de apresentar seu projeto, receber feedback, e posteriormente, caso aprovado na comunidade, receber suporte da própria SE Collective através de crowdfunding.

A proposta parece ser um “win win”. Do lado da pequena desenvolvedora, esta, além de ganhar feedback e aprovação de uma comunidade, passa pelo crivo do coletivo de uma publisher consagrada do mercado, que tem total experiência sobre produção de jogos, sem falar no suporte oferecido, permitindo  os desenvolvedores manterem os direitos sobre o próprio produto, caso consigam também o financiamento necessário. Pelo lado da Square Enix, o projeto permite compreender melhor como o mercado recebe hoje esse tipo de jogo com orçamento menor, além da possibilidade de fazer uma boa seleção de novos profissionais com ideias criativas, e implementar (as ideias e/ou os profissionais) aos seus grandes projetos.

De certa forma, esses pequenos desenvolvedores de hoje talvez estejam mais próximos dos  clássicos que fizeram a popularidade da Square Enix no passado do que a própria publisher hoje, visto como o cenário de jogos AAA mudou em 20 ou 30 anos. Uma boa parte dos projetos indie envolvem jogabilidade que lembra muito os clássicos de Final Fantasy e Dragon Quest das gerações NES, SNES e PSX. De lá pra cá, o próprio cenário do J-RPG mudou, e o modelo clássico se tornou de nicho. Isso é perceptível nos 2 últimos e no próximo Final Fantasy que sai ainda esse ano. Sua jogabilidade está mais próxima dos jogos ocidentais de ação do que as clássicas batalhas por turno.

Assista ao vídeo abaixo e compare com o que conhece dos clássicos J-RPG’s:

A SE Collective pode ainda assim não ser uma garantia do jogo apoiado chegar ao final da produção, mas a experiência da empresa no mercado à longa data deve entregar um projeto bem mais robusto e preparado à ser concluído. Em outra situação, não é de se esperar que a Square Enix como apoiadora deixe de alguma forma seu nome ser associado à um escândalo de projeto cancelado após aprovado.

Produzir um jogo pode ser um projeto caro e com muitas chances para falhar, mas talvez seja uma boa opção ter a curadoria de uma grande publisher como apoio ao tentar a sorte ao sol. Moon Hunters, lançado em março, está aí para mostrar o resultado.

Moon Hunters é um RPG de ação para até 4 pessoas
Moon Hunters é um RPG de ação para até 4 pessoas e foi projeto aprovado pela SE Collective

Referência: Square Enix Collective

Eward Bonasser Jr. é publicitário de formação e designer de profissão. Além dos games, tem fascínio por cinema e música e é um fanboy inveterado da Marvel e de Star Wars. Joga videogames desde quando Michael Jackson disputava o título de rei do Pop com o Prince.