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Michael Pachter prevê o fim dos consoles, novamente. Segundo o analista, o fim chegará em 2020.

Michael Pachter, analista de videogames, mídia social, digital e eletrônicos da Wedbush Securities, já é uma figura carimbada no universo dos games. Famoso por fazer previsões nem sempre tão acertadas – como afirmar, em 2005, que as pessoas deveriam vender suas ações na Netflix e comprar na Blockbuster – e dar declarações polêmicas – como referir-se ao recém-falecido presidente da Nintendo, Satoru Iwata, como “o recém-falecido e não tão brilhante” em seu programa Pachter Factor, pelo que ele pediu desculpas pouco tempo depois – Pachter assume novamente o papel de arauto do fim dos tempos e prevê o fim dos consoles para o ano de 2020.

No episódio 59 do seu programa Pachter Factor, o analista prevê que avanços como streaming e redução do tamanho do hardware mudarão os consoles como conhecemos, permitindo que você descarregue os jogos em seu smartphone e jogue plugado na TV, o que poderia acontecer em cerca de 10 anos. Mas o final do domínio dos consoles chegará ainda mais cedo – segundo Pachter – quando você tiver a oportunidade de descarregar Call of Duty em seu PC e jogá-lo no seu televisor, o que acontecerá até 2019 ou 2020.

Bem, não é a primeira vez em que o analista prevê o fim da era dos consoles. Em 2009, às vésperas da E3 daquele ano, Pachter afirmou que os consoles estavam em sua última geração e que não veríamos sucessores para o Playstation 3 e Xbox 360, enquanto a Nintendo anunciaria uma versão HD do Wii. O motivo do fim seria o fato de que não havia mais dinheiro a ser feito no mercado de consoles e as third parties não queriam mais este modelo.

O Wii HD não aconteceu naquele evento – o WiiU só foi ser anunciado em 2011 – e, apesar das previsões apocalíticas, o Playstation 4 criou uma base instalada de mais de 53 milhões de unidades em pouco mais de 3 anos de existência – ultrapassando os números brutos de consoles como o Xbox, GameCube ou SuperNES – e se seguir neste rumo até o final da geração, ele competirá com outros campeões de venda como o Playstation 3 e o Xbox 360. Com o Xbox One representando uma base instalada de cerca de 26 milhões, há quem afirme que ambos, em conjunto, atinjam a casa dos 100 milhões até o final de 2017.

Claro que não podemos determinar o futuro e novas tecnologias podem mudar o cenário dos games a qualquer momento. Mas a questão é que você já pode baixar Call of Duty em seu PC e jogá-lo em sua TV – não acontecerá em 2020, isto já é um possível há anos – e mesmo iniciativas como o Steambox não afetaram fortemente o mercado de consoles, que continua movimentando uma considerável fatia do mercado de games.

Quanto a questão dos mobiles, o Nintendo Switch está aí para provar o quanto o segmento de portáteis cresceu em termos de desempenho e pode oferecer jogos incríveis em um hardware de tamanho reduzido. Ao mesmo tempo, o híbrido entre console e portátil também enfatiza as limitações do modelo, pois é clara a desvantagem que o Switch tem em relação a hardwares mais parrudos como o Playstation 4 e Xbox One e o impacto que isto tem no interesse das thirdies parties em desenvolver seus principais títulos para o sistema.

Isto sem contarmos a evolução da tecnologia das TVs, com a chegada da resolução UHD 4K e HDR, que exigem ainda mais dos consoles. Estima-se que 50% das residencias nos EUA terão aparelhos com resolução 4K até o ano de 2020 e os portáteis e celulares ainda estão longe desta possibilidade – com os próprios consoles lutando para alcançarem esta marca dentro de uma faixa de preço atrativa para os gamers.

Ocasionalmente, algum corvo da tempestade alça voo anunciando o fim da era dos consoles. A Microsoft pareceu acreditar nisto no início desta geração, quando sob a batuta de Don Mattrick anunciou o Xbox One minimizando suas características como máquina para jogos e enfatizando-o como uma estação de entretenimento digital conectado – como resultado, um console de desempenho inferior e mais caro que o concorrente e um impacto negativo contra o qual o carismático e competente Phil Spencer ainda luta.

Mas o fato é que – por mais que não tenhamos uma bola de cristal que nos dê garantias sobre os eventos futuros – o mercado de consoles segue saudável e o interesse pelo modelo parece se renovar a cada geração, que sempre traz novas evoluções e adequações para atender as necessidades daquele momento.

Como gamers, deixemos o pessimismo de lado e aproveitemos. Em um ano que começou com uma gama fantástica de jogos, viu o lançamento do melhor portátil já criado e terminará com o console mais potente da geração, não há como negar que esta seja uma época incrível para se amar videogames.

Designer por profissão e gamer de coração, Raphael é apaixonado por jogos que sejam imersivos e permitam que ele se esgueire por trás de seus inimigos, eliminando-os de forma silenciosa e impiedosa.