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Jogamos a primeira hora de Prey, o novo jogo da Arkane Studios Suspense e exploração em um promissor thriller espacial.

Faltam poucos dias para o lançamento oficial de Prey (05 de maio), o novo jogo da desenvolvedora responsável pela série Dishonored, e você já pode experimentar os primeiros momento do título através da demo disponibilizada para Playstation 4 e Xbox One. Com entre uma e duas horas de duração (dependendo do quanto você explore o ambiente), a demonstração mostra a que veio o jogo e deixa um gostinho de quero mais.

Sem qualquer relação com o jogo original de 2006, Prey coloca o jogador na pele de Morgan Yu (seja “a” Morgan ou “o” Morgan, pois você pode escolher o gênero do personagem no início do jogo) na exploração da estação espacial Talos I. Misturando elementos de action-adventure, RPG, sobrevivência e tiro em primeira pessoa, o título parece trazer elementos que misturam Deus Ex, Dishonored, System Shock e Soma.

Um dos pontos fortes da demo é que ela não é um segmento aleatório do jogo ou um conteúdo preparado apenas para a demonstração. Tratam-se dos primeiros momentos do jogo, ambientando o jogador naquele universo, e funciona porque Prey não enrola e vai direto ao ponto. Mesmo explorando bastante e dedicando tempo a ler os documentos e informações presentes no jogo, em poucos minutos o jogador já estará mergulhado em uma trama de suspense e paranoia. Até o momento em a demonstração não permite mais seu avanço, você já terá uma boa ideia das razões que dão o pontapé inicial no enredo.

Prey foi desenvolvido em cima da Crytek Engine e oferece gráficos compatíveis com esta geração, mas nada estelares ou inovadores. O design de personagens lembram sutilmente os de Dishonored – principalmente por causa das mãos enormes e texturas – mas com uma modelagem um pouco menos caricata. Os cenários são detalhados, mas a visão futurista e mais estéril do título contrasta com a sujeira decadente dos jogos anteriores da Arkane.

O áudio é um dos pontos fracos da demonstração, com uma música de combate alta e intrusiva arrancando você do clima do jogo sempre que há um inimigo próximo. Todo dublado em português, Prey conta com diálogos frios e problemas de cortes entre algumas frases – em um determinado momento é possível perceber que um dos personagem inicia uma segunda frase momento antes da primeira ter terminado, atropelando levemente o áudio. O fato do personagem poder ser masculino ou feminino (e ter o mesmo nome) fez eu me perguntar se haverá problemas na tradução, no caso de termos que em inglês não variem de gênero, mas em português sim (como doutor/doutora, por exemplo), mas não houve qualquer caso destes durante a demonstração. Espero que jogo final ofereça a opção de alterar o áudio para o inglês, não existente na demo.

Com algumas melhorias interessantes na interação, como não precisar pressionar qualquer botão para verificar armários ou gavetas e acesso fácil aos computadores e telas, Prey promete um jogo difícil e com muitos elementos e subsistemas. Como em Dishonored, o mapa oferece múltiplas possibilidades de avanço, aproximação ou solução de problemas, permitindo ao jogador trabalhar de forma mais furtiva, apelar para o combate franco ou lidar de forma criativa com os obstáculos. Isto reflete-se no sistema de avanço do personagem, que permite direcionar seus pontos de evolução em diferentes categorias.

Quando o jogador recorre ao combate, os inimigos de Prey são rápidos e se movimentam por toda a tela, exigindo movimentos rápidos para sobreviver. O personagem é frágil e pode morrer com poucos golpes – mesmo no nível Normal – e a munição e itens de cura parecem ser escaços, introduzindo um elemento de sobrevivência ao título.

A demonstração também dá um gostinho do sistema de crafting, permitindo que o jogador construa alguns equipamentos. Com apenas um botão, o jogador pode selecionar e reciclar todos os seus itens sem função nos elementos que servem ao propósito de fabricação. Feito isto, basta ter o esquema do equipamento desejado e utilizar a máquina de construção para fabricar munições, armas ou outros equipamentos.

São tantos subsistemas e elementos que a demo sequer toca na questão dos poderes que o personagem poderá desenvolver – já mostrado em outros vídeos, como o de mimetizar objetos – e que abrirão novas possibilidades de exploração e resolução de problemas, deixando a sensação de que ainda há muito o que se descobrir na versão final do jogo.

As horas iniciais terminam em uma porta que impede que o jogador alcance a missão seguinte – com um aviso de “indisponível na demonstração”, para evitar quaisquer confusões. Mas deixa o jogador livre para explorar um pedaço da estação espacial, acessar algumas áreas adicionais, encontrar novas armas e enfrentar inimigos.

Prey promete ser uma evolução das qualidades que a Arkane Studios desenvolveu em seus jogos anteriores, inserindo novos elementos e inspirações à já conhecida capacidade da desenvolvedora de criar ambientes nos quais o jogador é livre para explorar ao seu modo. Se você é fã de Dishonored, Deus Ex ou System Shock, a demonstração é como aquele aperitivo para abrir o apetite e aumentar a ansiedade para o dia 5 de maio.

A demonstração está disponível na Xbox Live e na PSN. Prey será lançado para Xbox One, Playstation 4 e PC.

Designer por profissão e gamer de coração, Raphael é apaixonado por jogos que sejam imersivos e permitam que ele se esgueire por trás de seus inimigos, eliminando-os de forma silenciosa e impiedosa.