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Minha história com jogos de PC ...e introdução

Olá a todos, meu nome é Bruno Piazera Zacchi e estou no período de experiência aqui no Doze Bits 🙂

Quando fui convidado pelo Raphael para fazer parte desse grupo escrevendo a respeito de jogos de computador (PC) eu me empolguei, porém logo após esse convite eu fiquei preocupado pela expectativa de todos da Doze Bits sobre o conteúdo. Confesso que gosto de jogos, em especial de computador, entretanto tenho minhas dúvidas sobre textos e afins, mas minha vontade falou mais alto.

Meus pais sempre me mantiveram uma geração atrás dos consoles de meus amigos, por mais que eu demonstrasse interesse pelo assunto. Quando meus amigos tinham Master System eu tinha um Atari 2600, quando eles tinham SNES, eu tinha Mega Drive e fiquei com ele até o Playstation. A virada de eventos se deu quando enfim meu pai comprou um computador pessoal lá para casa.

Meu primeiro contato com um computador foi na empresa que meu pai trabalhava, ele me colocou sentado na frente e me explicou sobre o computador – não entendi nada. Mas me contentei com escrever meu nome no monitor de letras verdes e, possivelmente, deve ter aparecido: “Comando ou nome de arquivo inválido”.

Depois de um tempo fui encontrar o primeiro computador acessível na casa de um amigo meu. Os pais compravam para que os filhos usassem para trabalhos escolares, lembrando que na época não tinha internet, então era apenas para facilitar aquilo que era feito de forma manuscrita ou com máquina de escrever. Esse meu amigo tinha uns quatro jogos dentro do computador e eu passava algumas tardes na casa dele assistindo-o jogar ou até jogava quando ele permitia. Títulos como Sim City, Stunts, Wolfenstein 3D e Out of This World.

Stunts: Passava horas fazendo as pistas antes de jogar nelas.

 

Não demorou para o meu pai comprar um PC para nós – somos em 3 irmãos – mas eu o monopolizava grande parte do tempo. Para você leitor mais novo ter uma noção o processador do meu computador era um “486”, um processador da Intel anterior ao primeiro Pentium. Ele vinha com 66 Mhz, é isso mesmo que você está pensando, 60 vezes menos que os processadores médios atuais, obviamente com apenas um núcleo. Memória RAM você se contentava com 4 Mb (contrário dos 4Gb que tem hoje) e um HD que possivelmente não passava de 40 a 60Mb. Máquinas como essa rodavam Windows 3.11, ferramenta usada por grande parte dos usuários convencionais, mas não precisávamos dela, usávamos o MS-DOS mesmo, onde decorávamos linhas de comandos grandes para poder simplesmente criar uma pasta, ou copiar um punhado de arquivos de um local para outro.

MS-DOS: Compactar arquivos demandava experiência com os comandos.

 

Comprávamos caixas e mais caixas de disquetes para copiar os jogos dos nossos amigos. Quando alguém chegava – não se sabe da onde – com um jogo novo todos queriam uma cópia. Nos primórdios do PC não havia “compra de jogos” aqui no Brasil, pelo menos não longe dos grandes centros. Era tudo pirateado à vontade, não havia nenhum tipo de remorso ou medo, ninguém imaginava que era crime, e não tinha nenhum recurso que impedia a cópia livre de jogos.

Aliás, tinha sim, lembro-me bem. Quando você começava a jogar, você provavelmente iria até determinado momento do jogo, como se estivesse jogando um Demo (na época chamava-se shareware), aí o jogo parava e te pedia para abrir o manual do jogo numa determinada página, linha e número de palavra, se você desse a resposta correta poderia continuar a jogar. Era o máximo da segurança. Pode-se imaginar que os jogos vinham com um arquivo de texto (.txt) dizendo todas as combinações mais pedidas pelo jogo, como se fossem uma espécie de “keygen” dos tempos antigos.

Indianapolis 500: Quando pedia a senha eu nem me preocupava, digitava “monza” 30 vezes, uma hora iria dar certo.

 

Com o computador pessoal eu aprendi muita coisa. Ele foi importante para minha vida. Sério.

Além de passatempo, eu aprendi sobre todas as peças dele, aprendi a eletrônica básica por trás do computador, montar e desmontar, identificar problemas, contornar vírus danosos… Aprendi Inglês, ferramentas do Office, lidar com Windows; ensinava irmãos, amigos, pais.

Não acho que aquele tempo era melhor, não era. Hoje temos muitas facilidades e tudo está mais democrático. Eu falo com orgulho de ter vivido essa época, uma saudade daquele tempo, mas sem negar como hoje está tudo MUITO melhor.

Eu me recordo a primeira vez que meu amigo se conectou com a BBS e jogou Truco com outra pessoa – online. Era uma emoção, eu estava apenas assistindo, mas o coração palpitava pensando que alguém em alguma parte do Brasil (não tenho ideia se era mundial ou local) estava jogando com ele. Internet discada, igual uma ligação de voz – e custava muito caro.

Minhas primeiras experiências online de jogos se deram com Ultima Online e seus servidores “privados”, afinal ninguém tinha recursos próprios e nem cartão para pagar a assinatura do jogo. Esperávamos até as 21h ou 24h para poder conectar para evitar custos astronômicos.

Ultima Online: Ficar acordado era um problema para mim.

 

Hoje é bem fácil, você não precisa “entrar na internet”. Você não precisa ir até algum lugar para comprar um jogo, ele está disponível para você em lojas online. Não há necessidade de mídia física, nem de manual. Os jogos vêm com tutoriais embutidos que te ensinam a jogar. A disponibilidade de jogos é imensa! Obviamente temos os jogos mais atuais que só funcionam em máquinas extremamente poderosas (e caras), porém nesse tempo todo que tive contato com jogos de computador eu posso afirmar, sem sombra de dúvidas: nem sempre o último lançamento que demanda a melhor máquina é o jogo mais legal e digno do seu tempo.

Espero poder falar a respeito de jogos da mesma maneira que tenho prazer em jogá-los.

 

ps.: e que venha a E3 com algum RTS, senão vou chorar…

Jogador de PC, tabuleiro, videogames antigos, RPG de mesa.
Troca tudo por uma boa conversa com os amigos, de preferência acompanhado de boa comida!