E3 2017 Opinião PC Xbox

E3 2017: Conferência Microsoft Um lindo gol, mas não a goleada de que a Microsoft precisava

Resolução, potência, teraflops, quantidade. A conferência da Microsoft girou em torno de dois pilares: números e jogos. Com uma lineup enorme, incluindo 42 jogos e 22 exclusivos (alguns deles, aparentemente temporários), a Microsoft fez uma apresentação sólida e que agradou os fãs – mas que não cumpre a missão de vender o novo Xbox.

Indo direto ao ponto e dando a tônica do evento, a conferência foi aberta com uma breve demonstração da evolução das resoluções com o passar dos anos. A nova máquina da Microsoft está entre nós e ela tem rosto, nome, preço e o título de “O console mais poderoso já feito”, estampado nas camisetas vestidas por muitos dos presentes.

Embora existam controvérsias quanto à escolha do nome: Xbox One X – em inglês, sonoramente similar ao seu irmão menor, o Xbox One S – a Microsoft acertou em cheio no visual do console. Pequenos, limpo e moderno, a nova máquina é a menor da família Xbox. Suas linhas retas e elegantes certamente ficarão lindas em qualquer lugar.

O console mais bonito da atualidade, ou o mais bonito da atualidade?

Após uma breve apresentação das características do console: 6 teraflops de potência e memória adicional para os desenvolvedores, muita potência com o objetivo de oferecer resolução 4K nativa e texturas de alta resolução. Embora a popularidade da mídia física venha caindo, a Microsoft fez questão de cutucar a Sony enfatizando a capacidade do Xbox One X de reproduzir Blu-ray 4K UHD, um tapinha que não passou desapercebido pelo público.

Em alguns momentos, confesso que fiquei confuso e em dúvida sobre o Xbox One X ser uma evolução paralela do Xbox One ou um salto de geração. Informações como “compatível com todos os acessórios e jogos do Xbox One” me parece o tipo de buzzword esperada em um anúncio de uma nova geração. Mas ligo ficou claro que este era apenas um trampolim para deixar claro que todos os jogos já lançados utilizarão a potência do novo console para apresentar gráficos e desempenhos melhores, um outro salto de superioridade sobre o Pro, cujo Boost Mode oferece melhorias pífias para jogos não otimizados. O próprio console ficará responsável pelo Supersampling, oferecendo as vantagens da resolução ampliada, mesmo em TVs Full HD.

Este monstro custará 499 dólares em seu lançamento (07 de novembro), o preço esperado nas previsões mais conservadoras e um valor justo pelas especificações oferecidas. Entretanto, a Microsoft sabe – pois isto foi repetido à exaustão pela mídia desde a demonstração do Xbox Scorpio para o canal Digital Foundry – que especificações não vendem consoles e ela precisa de jogos. Títulos incríveis e exclusivos que justifiquem a aquisição do Xbox One X. Um número entra em cena: Sete!

Forza Motorsport 7 aparece na tela em 4K, rodando a 60 quadros por segundo e com lindos efeitos de água na pista. Não há dúvidas, o jogo está incrível e continua sendo o que há de melhor em simuladores de corrida para consoles. O momento foi tão especial para os aficionados por carros que a Porsche o aproveitou com uma estranha jogada, fazendo o lançamento do novo Porsche 911 2018 no palco da E3.

42 Jogos, 22 Exclusivos. Números e Jogos de Palavras

A fixação do evento por números continua e Phil Spencer – para calar os críticos – anuncia 42 jogos, sendo 22 deles exclusivos (entre os consoles) para o Xbox One. O número impressiona e parece ser exatamente o que a Microsoft precisava para – se não virar o jogo – uma boa retomada na geração. Infelizmente, o número acabou parecendo inflado com um grande número de produções pequenas e independentes, além de uma gama de títulos anunciados com a críptica frase “Console Launch Exclusive”, dando a entender que a exclusividade possa ser temporária.

Não que deva se desmerecer as exclusividades temporárias – um ano de diferença no lançamento teve um impacto para Rise of the Tomb Raider e um período tão grande remove qualquer sensação de novidade de um jogo. Poucos meses de diferença podem ser um grande diferencial em um grande título.

Também não desmereçamos a produção indie, que hoje representa uma fatia ampla e importante do mercado de games e é responsável por alguns dos melhores títulos desta geração. Jogos como Ori and the Blind Forest facilmente rivalizam com produções AAA em termo da paixão gerada nos jogadores. Entretanto, estou certo que quando as pessoas falavam “o Xbox One precisa de mais exclusivos”, não pensavam exatamente em jogos como The Darwin Project (que rendeu uma apresentação desconfortável tentando “forçar” uma vibe e-Sport) ou Super Lucky’s Tale.

Mas dentro da ampla variedade de títulos mostrados, a Microsoft também se provou atenta às tendências. A exclusividade de PlayerUnknowns’s Battleground – um dos jogos mais celebrados atualmente pelos streamers de todo o mundo e que coloca 100 jogadores em uma grande e tensa batalha em uma ilha, em busca de recursos e onde qualquer erro pode te tirar do jogo – e Black Desert – um MMORPG com gráficos atraentes que está chegando ao Brasil e já vem conquistando muitos fãs do gênero – coloca na sala de estar alguns dos títulos mais divulgados por Youtubers em todo o mundo, aproveitando o buzz gerado por este público.

A gama de jogos foi tão grande que mesmo fazendo uma conferência mais longa que o habitual e praticamente emendando um trailer no outro, ainda assim foi necessário fazer uma montagem de vários jogos em um único trailer. Não vou falar de todos os jogos, para isto não virar uma lista imensa, mas Fortnite parece um misto de tower defense e TPS muito divertido, estiloso e inteligente e The Observer promete um jogo de suspense com vibe semelhante ao do cultuado Outlast.

Acima de tudo, os jogos reforçam o empenho da Microsoft com o programa indie ID@Xbox, que lançou e revelou muitos jogos incríveis durante a história do console.

Destaques de Peso

Entre os principais títulos anunciados durante a conferência tivemos o primeiro gameplay do novo Assassin’s Creed: Origins, que promete revitalizar a série e levar o jogador ao antigo Egito. Com gráficos amplos e impressionantes, o jogo promete novidades inspiradas em Horizon Zero Dawn e The Witcher 3, misturando um sistema de combate mais solto, câmeras lentas e elementos de RPG. Lançamento previsto para 27 de outubro.

Na área dos exclusivos, State of Decay 2 promete ser tudo aquilo que o primeiro título deixou para trás. Multiplayer, interação, sobrevivência e muitos zumbis. O primeiro jogo da série foi um daqueles títulos com potencial, mas que acabou não atingindo seu ápice. A sequência, por sua vez, parece acertar em cheio e agradar os jogadores.

Ainda não sei o que pensar de Sea of Thieves, que parece ser divertido e charmoso, mas com um ritmo exageradamente lento e desinteressante. Embora você certamente não vá conversar com seus amigos com voz de pirata enquanto joga (deveria!), ser disparado de canhão no barco de um grupo de jogadores adversário para pilhá-lo parece ser o ápice da aventura!

Com o divertido Terry Crews, Crackdown 3 finalmente ganha uma data de lançamento. Embora não seja visualmente atraente, o título promete uma ampla cidade, totalmente destrutível, e ação frenética a partir de 7 de novembro. Assim como ele, Cuphead, o jogo de plataforma com cara de desenho animado antigo e que já deu as caras em diversas edições da E3, finalmente ganha data, chegando ao console em 29 de setembro.

A série Metro também ganhará uma continuação, com Metro Exodus. Prometendo muita ação e gráficos impressionantes em um mundo aberto. Baseada nos livros de Dmitry Glukhovsky, a série se passa nos metrôs de uma Rússia assolada por uma guerra nuclear, onde o restante da humanidade luta dia e noite pela sobrevivência. O trailer deu um gostinho de “Killzone 2” (que ficou “infame” por ser apresentado na E3 com um vídeo de gameplay que depois revelou-se pré-renderizado), com gráficos surpreendentes e jogabilidade obviamente roteirizada – espero que seja só uma sensação ruim.

Dragon Ball FighterZ traz os personagens da amada franquia em mais um jogo frenético de luta, enquanto The Last Night promete uma aventura cyberpunk com lindos gráficos estilizados e um jeitão que remete ao cultuadíssimo Flashback, de 1992.

Dois jogos que acho incríveis tiveram continuação anunciada. A Dontnod levará os jogadores de volta à Arcadia Bay com Life is Strange: Before the Storm e Ori and the Will of the Whisps promete mais gráficos lindos e uma aventura cheia de emoção e melancolia, com direito à trilha sendo tocada ao vivo, no palco da E3, pelo compositor. Um momento certamente mágico para nosso parceiro Luiz Belônio, que pode assistir à conferência ao vivo.

Minecraft: Unindo Diferentes Tribos

Palmas para a Microsoft por conseguir levar Minecraft ao palco da E3, mais uma vez, e de forma relevante! Em um anúncio surpreendente, Minecraft unificará servidores e permitirá cross-play entre jogadores do PC, Xbox, Nintendo Switch e Mobile, algo nunca visto. Infelizmente, o Playstation ficará de fora – por limitações impostas pela própria Sony (shame on you, Sony!).

Adicionalmente, o jogo receberá um pacote de melhorias gráficas no Xbox One X, com gráficos em 4K, novas texturas, ambiente occlusion, reflexos e outras novidades, mas sem perder aquele jeitão Minecraft de ser. Uma renovação bem-vinda para uma das maiores comunidades dos games.

Uma História Ainda Maior de Retrocompatibilidade

A retrocompatibilidade têm se tornado uma das bandeiras da Microsoft e ela importa. Primeiramente porque está nela a oportunidade de novos jogadores de conhecerem franquias antigas ou mesmo experimentar os primeiros títulos de séries atuais. Segundo, porque existe uma importância em se preservar o acesso à biblioteca de jogos, não apenas financeira, mas também histórica, pois isto preserva na mente das pessoas a memória dos games.

Foi nesta vibe e sob muitos aplausos que a Microsoft anunciou a compatibilidade do Xbox One com o Xbox Original, não apenas para o digital, como também para mídia física. Além disto, alguns clássicos antigos serão remasterizados, como Crimson Skies.

A Estrela da Noite Voa, Nada e Luta

Mas o grand finale ficou por conta de Anthem, o novo jogo dos criadores de Mass Effect, previamente anunciado na conferência da E3. Com um longo vídeo de gameplay com gráficos simplesmente inacreditáveis de tão lindos, Anthem promete ação multiplayer co-op com elementos de RPG. A humanidade vive em uma cidade cercada por muros que a protege dos perigos externos, enquanto almas corajosas usam roupas mecânicas (totalmente customizáveis pelo jogador, alterando até mesmo o estilo de jogo) para enfrentar as criaturas e buscar recursos. Muita ação em um enorme ambiente aberto, onde os jogadores poderão voar, caminhar ou nadar com seus companheiros.

Assista ao trailer, pois impressionante é pouco.

Convencendo Sobre o Xbox One X

Sólida e repleta de jogos, como deve ser, a conferência da Microsoft infelizmente falhou em convencer os jogadores da necessidade do novo console. De tudo que foi apresentado, apenas Forza 7 pareceu se concentrar nas vantagens oferecidas pelos teraflops do Xbox One X.

Salvo poucas exceções, um grande número dos jogos apresentados não demonstravam gráficos impressionantes ou que justificassem a necessidade de um novo console, mais parrudo, um vazio que um novo Halo, rodando em 4K, com gráficos lindos e 60 fps poderia preencher, ou mesmo alguma nova IP.

Com números impressionantes, das especificações à quantidade, a Microsoft parece ter investido em trazer o maior número possível de jogos e exclusivos para o palco, em resposta às críticas que têm recebido no último ano. Porém, nem tudo o que foi apresentado teve o impacto desejado e uma grande parcela (e a estrela da noite) do tempo foi dedicada a jogos não-exclusivos.

Investindo na segurança, nenhum dos rumores mais obscuros se provou real. Nada de Xbox One X iniciando uma nova geração ou um PC para a sala de TV, nem sobre óculos de realidade virtual e nem mesmo para falar sobre o Microsoft Pass. Talvez não tenha sido o suficiente para convencer os jogadores a adquirir um Xbox One X ou mudar de plataforma, mas a Microsoft certamente agradou aos fãs e proprietários do console, que estão bem próximos de bons e esperados lançamentos e uma robusta lineup para o futuro.

Designer por profissão e gamer de coração, Raphael é apaixonado por jogos que sejam imersivos e permitam que ele se esgueire por trás de seus inimigos, eliminando-os de forma silenciosa e impiedosa.