E3 2017 Opinião Playstation

E3 2017: Conferência Playstation Jogos incríveis, conferência ruim, pouca novidade.

A noite da Sony começou antes do erguer das cortinas no palco principal, com um evento preliminar que revelou novidades como Super Hot e Sparc para VR e Undertale para Playstation 4. Quando Knack 2 foi mostrado neste pré-evento, ficou claro que a Sony teria muitas surpresas para o evento principal. Infelizmente, não foi o caso.

Sobem as cortinas e somos recepcionados por um pequeno grupo tocando instrumentos indianos enquanto uma cascata de areia cria desenhos ao fundo, nos remetendo imediatamente ao espetáculo de 2016, com uma orquestra em palco. Corta para o trailer de Uncharted: The Lost Legacy no telão, mostrando pouco mais do que já sabíamos sobre o jogo – agora temos um vilão e a previsão de lançamento para 22 de agosto.

Quando esperávamos a entrada de alguém no palco, os trailers continuam. Parece que existe alguma pressa, para mostrar a maior quantidade possível de conteúdo. Rapidamente somos apresentado ao DLC de Horizon: Zero Dawn – Frozen Wilds, sem muitas informações além de que adicionará uma nova área e será lançado ainda este ano. Uma surpresa esperada, de certo modo, devido ao sucesso do título.

Seguindo a linha de mostrar um pouco mais do que já foi mostrado, somos apresentado a um novo vídeo de jogabilidade de Days Gone, o jogo de zumbi e mundo aberto da Bend Studio. Longo e pouco empolgante, é possível ver que o jogo bebeu um bocado de The Last of Us e Horizon, colocando o jogador em um mundo aberto onde é possível preparar armadilhas ou utilizar os inimigos uns contra os outros. Sem sequer uma janela de lançamento para o jogo, faltou muito para ficar encantado com o que foi mostrado.

Finalmente, Shawn Layden sobe ao palco. Novamente, a pressa parece aparente na apresentação. Como um “recado”, ele fala sobre ser tudo sobre jogos e os consoles da Sony oferecerem a opção de 4K e HDR. Ele também destaca a importância dos exclusivos da empresa e anuncia o trailer seguinte, deixando o palco para o que será a maior surpresa do evento.

Uma espada gigante e cheia de dentes entrega Monster Hunter World. Com gráficos modernizados e mais realistas, o jogo promete agradar em cheio aos fãs da série, que há muito pediam algo assim. Com previsão para o início de 2018, o jogo estará disponível para diversas plataformas.

A segunda (e última) surpresa da apresentação foi o remake de Shadow of the Colossus. O jogo ainda é pouco mais que um breve vídeo, sem qualquer data de apresentação. A BluePoint foi responsável por ótimas remasterizações, como Uncharted Collection e Gravity Rush, mas estes eram casos apenas de revitalizações gráficas. Shadow of the Colossus precisa mais do que isto. Embora seja um clássico, é um jogo de uma época em que os jogadores aceitavam muito melhor os problemas sérios de jogabilidade. Para funcionar, ele precisa ser claramente modernizado e trabalhado em uma engine melhor, que não apresente os mesmos problemas de desempenho de The Last Guardian.

A apresentação foi marcada ainda por um novo vídeo de Marvel vs. Capcom Infinity, com data para 19 de setembro e demo do modo história disponível imediatamente e um primeiro vislumbre do multiplayer de Call of Duty WWII, que levará a série de volta à sua origem na segunda guerra mundial.

VR Ainda é Algo para a Sony

Depois de meses de estranho silêncio, tivemos uma nova sessão de novos jogos para Playstation VR. Com experiências que parecem mais completas e menos com um techdemo, a Sony apresentou: Skyrim VR, que colocará o jogador dentro do mundo de Tanriel (acredito, utilizando a mesma engine que possibilitou Fallout 4 VR, apresentado na conferência da Bethesda), Starchild, Bravo Team (que parece mais um shooter genérico para VR), Moss (onde você é um espírito que lembra os desenhos de Hayao Miyazaki e deve ajudar um ratinho guerreiro em sua missão) e um jogo de pescaria baseado em Final Fantasy XV, chamado Monster of the Deep, caso você ainda não tenha se saturado do minigame.

Chamando um pouco mais a atenção temos The Inpatience, da Supermassive Games, que promete levar o jogador em uma busca por sua própria identidade no sanatório Blackwood, do jogo Until Down, 60 anos antes dos eventos apresentados no jogo.

Mais do Que Já Era Esperado

Voltamos aos grandes títulos com mais uma figurinha já carimbada, God of War mostra novos eventos do jogo e diversas cenas curtas de gameplay, enfatizando o combate, agora com câmera por trás do personagem e menos frenético – possivelmente uma das características renovadas do jogo. Com data para início de 2018, este jogo ainda deve aparecer mais vezes em outros eventos deste ano.

Detroit dá as caras pela enésima vez em uma conferência Playstation, começando a cansar os fãs do estilo de David Cage. Mais um novo personagem, mais ênfase na quantidade de decisões que o jogador poderá tomar e suas ramificações. O jogo continua lindo, mas se você vai apresentá-lo mais uma vez em um evento, ao menos nos dê uma data de lançamento. Mas não tivemos sequer uma janela… sequer um “2018”.

Destiny 2 fez uma breve apresentação, anunciando o conteúdo exclusivo para Playstation e a data de lançamento para 6 de setembro. O investimento da Bungee e Activision na divulgação deste jogo está grande e é difícil olhar para algum lado sem ver um novo vídeo.

O Amigão da Vizinhança Chega para Salvar a Noite

O grande momento da conferência foi a revelação do primeiro gameplay de Spider-man, o novo jogo do amigão da vizinhança produzido pela Insomniac. Com um modo furtivo e um combate que remetem a série Arkhan da Rocksteady, o jogo apresentou gráficos incríveis e uma jogabilidade fluída, digna do Aranha. O título também parece investir em set-pieces (aquelas cenas montadas e cinematográficas), com QTEs e misturando se forma imperceptível animações livres e roteirizadas ao modo de Uncharted.

Com aproximadamente uma hora de duração, as luzes se acenderam e todos ficaram perguntando se a conferência havia realmente acabado.

Poucas Surpresas, Muitas Ausências

O conceito de “trailer em cima de trailer” é fascinante e coloca a ênfase naquilo que os jogadores realmente querem, os jogos. Mas a E3 é espetáculo e surpresa, caso contrário, não passa de uma série de vídeos que poderiam facilmente terem sido divulgados através do Youtube. O palco é necessário, para que os desenvolvedores e pessoas por trás dos games possam utilizar este espaço para não apenas mostrarem seus jogos, mas também enfatizarem seus diferenciais e motivações.

Sem datas precisas de lançamento e sem grandes surpresas, a Sony fez uma apresentação extremamente previsível e insossa, enfatizada pelo formato escolhido para o evento. Possivelmente, um preço que a empresa paga por fazer anúncios tão antecipados, fazendo com que os mesmos jogos sejam revisitados durante 2 ou 3 anos, ainda mais considerando a forte presença da empresa em outros eventos como a Gamescom, a TGS e a própria Playstation Experience, agendada para dezembro deste ano.

Várias lacunas ficaram abertas, como The Last of Us Part II (sobre o qual provavelmente ouviremos na PSX, depois que The Lost Legacy já estiver no mercado), ou os projetos de grandes second-party como a Ready at Dawn e a Sucker Punch. Além dos rumores não realizados, como Bloodborne II e um novo sucessor do Vita.

Até mesmo alguns itens anunciados no evento pré-conferência poderiam trazer um impacto maior se apresentados dentro dela, como o lançamento de Undertale para Playstation 4 ou o PlayLink, que permite conectar celulares ao Playstation 4 e jogar novos títulos diferenciados e criados especificamente para a ferramenta (veja abaixo o vídeo de Hidden Agenda), uma novidade que não teve o destaque merecido e verá a luz do dia ainda neste ano.

Isto não significa que os fãs do Playstation devam ficar decepcionados ou nada disto, a avaliação aqui é da conferência como evento, e não da lineup de jogos do Playstation 4. A Sony ainda tem a vantagem de ter alguns dos melhores exclusivos do mercado e títulos que estarão entre os candidatos a melhores deste ano e possivelmente do próximo.

Mas esta vantagem não deveria se converter em uma apresentação apática e desinteressada – pouco mais que uma glamourizada lista de vídeos, desprovida do esperado espetáculo que pede a ocasião. Como resultado, a impressão de que a Sony está tão segura de sua posição que sequer acredita precisar de uma conferência de verdade, uma postura que não deve agradar aos fãs da empresa.

Espero que a empresa reveja este modelo para os próximos eventos do ano.

Designer por profissão e gamer de coração, Raphael é apaixonado por jogos que sejam imersivos e permitam que ele se esgueire por trás de seus inimigos, eliminando-os de forma silenciosa e impiedosa.