Artigos E3 2017

Como foi a E3 2017 para o Doze Bits em Los Angeles Bastidores da viagem e várias outras histórias... capítulo 1!

Apesar do atraso, vai ter historinha sobre a E3 2017, sim! Vou falar sobre todas as sensações e todos os sentimentos dessa viagem única, e fantástica, pela qual passei entre os dias 8 e 16 de junho de 2017.

Começamos lá atrás… no dia 8 de junho!

Sim… o primeiro dia da viagem é dia 8 de junho. Alguns devem saber o por quê, outros não… o fato é que a comprei minhas passagens pela Avianca saindo de… GOIÂNIA! Era mais barato… era muito mais barato… era INFINITAMENTE mais barato. Saindo de São Paulo, um voo com escala em Bogotá para Los Angeles me custaria 3400 reais. Saindo de Goiânia, um voo com escalas em São Paulo e Bogotá, me custou 1980 reais. Isso mesmo… eu paguei menos pra voar mais, a grande lógica das empresas aéreas. Então, dia 8 de junho, viajei com milhas para Goiânia e peguei um voo de volta para São Paulo no mesmo dia, já pela Avianca, para embarcar somente no dia seguinte para Bogotá. Cheguei a São Paulo às 22:30, fui dormir na casa dos meus pais, e voltei para o aeroporto as 6:00 do dia 9 para embarcar para Bogotá… não é incrível? Não, não é! Foi cansativo… e só fui perceber isso durante o meu caminho para a Colômbia.

O voo para Bogotá é longo, muito longo… BEM LONGO! E cheio! Não tinha um lugar sobrando no voo! E foram 7 horas até lá… deu pra assistir metade da primeira temporada de House of Cards (me julguem por não ter assistido antes) e dormir um pouco ainda. Devo dizer que num primeiro momento achei que estava embarcando para Hogwarts já que as funcionárias da Avianca usam um uniforme parecido com o das estudantes da Escola de Magia Beauxbatons… só que vermelho! #FAIL

Eu achei parecido… confesso que agora nem tanto!

Depois de dois cafés colombianos (excelentes por sinal) ainda viria o voo para Los Angeles… que também é longo, muito longo… BEM LONGO! Mas, felizmente, não estava tão cheio. Fiquei com uma poltrona vazia ao lado e tive a companhia de um jogador profissional de futebol durante a viagem. O jogador em questão era Tyler Boyd, neozelandês, jogador do Vitória de Guimarães, de Portugal. Conversamos bastante, com todo o tempo que tivemos, durante a viagem e ele estava indo encontrar a família após passar férias no Rio de Janeiro depois de uma temporada excelente. O Vitória de Guimarães ficou em quarto na Liga Portuguesa e garantiu vaga para a Liga Europa. Tyler fez 8 gols e deu 8 assistências! Não via os familiares a cerca de 5 anos. Eu estava apreensivo pela feira… ele pela família. Pensei o quanto seria difícil para mim ficar 5 anos sem ver os meus queridos.

A chegada em Los Angeles foi tranquila, nunca passei pela imigração tão facilmente. O processo agora é quase todo informatizado e você só precisa passar por um oficial no último momento. As perguntas de sempre: o que veio fazer, vai ficar onde e por quanto tempo? Respondidas as perguntas, o oficial me diz: Tenha uma ótima E3… dizem que é uma experiência única! BANG! Até o oficial de imigração aqui sabe o que é a E3… tive que explicar milhões de vezes no Brasil para parentes, amigos e conhecidos próximos do que se tratava a feira para a qual estava indo e quando chego em LA o oficial de imigração sabe do que estou falando… percebo que estamos engatinhando ainda.

E3? Sim, claro! Seja bem vindo e aproveite… dizem que é uma experiência única!

Pego as malas, o carro (um Versa… igual ao meu) e rumo para a o AirBNB que reservei. Antes de chegar passo no Amazon Locker e descubro que esse é o melhor serviço de entregas do mundo. Um armário, em uma 7Eleven, aberto 24 horas por dia para que você possa retirar com comodidade as suas encomendas. Você compra, envia para o locker e tem até 5 dias para retirar seus produtos. Sem precisar ter contato com nenhum outro humano. Muitas roupas do Joaquim (meu filho de 3 anos) já haviam chegado e durante a viagem eu ainda passaria pelo Locker mais algumas vezes para pegar mais roupas para ele e algumas outras coisas que trouxe.

O nome do meu Locker não era Wallace, era Ponte!

Meus anfitriões são um sul coreano e sua esposa/namorada. Timothy não tem mais que 25 anos, seu inglês não é bom. Meu inglês também não! Apesar de toda a dificuldade de comunicação, ele é muito solícito e me fala sobre as regras da casa antes de me mostrar meu quarto: sem sapatos dentro de casa. Essa é a única regra. E essa é a primeira das três vezes que o vi durante a minha estadia de 6 dias na sua casa! Sim… eles me deram o quarto, as chaves da casa e desapareceram logo em seguida. Talvez o motivo seja deixar o hóspede bem a vontade, mas achei meio estranho. No fim percebi que foi bom não precisar manter esse contato diário. Eu enviava mensagens via app do AirBNB, ele respondia por lá e resolvia o que eu pedia. Esse era nosso contato.

Dormi feito pedra… estava cansado do voo e teria dias cheios na próxima semana. Essa foi a única noite em que dormi realmente bem durante toda a viagem.

Acordei no sábado, dia 10, e saí logo cedo para cumprir algumas “quests” para o Joaquim e para mim! Compras! Fui até o Walmart mais próximo na esperança de que conseguiria meu Nintendo Switch e… nada! O vendedor me falou que a última vez que tinha visto um na loja já tinha uns 15 dias. Essa, que era uma quest secundária, acabava de virar uma das quests principais da viagem. Peguei as compras que já tinha feito pela internet no Walmart, funciona quase tão bem quanto o Amazon Locker, mas é necessário ter contato com humanos e esses fazem de tudo pra tentar deixar a experiência ruim. Documentos, cartão de crédito e até o comprovante de compra foram pedidos. 20 minutos depois a atendente acreditou que eu era mesmo o comprador daquelas roupas e me entregou os produtos que já estavam pagos. Uma passada em casa (vou me referir ao AirBNB assim agora) para deixar as coisas e bora pro aeroporto, o Pedro já deve estar chegando.

Pedro Zambarda, jornalista de games e política, escreve para o Drops de Jogos e para o Diário do Centro do Mundo. Ele seria o meu companheiro de quarto durante a E3. Já nos conhecíamos antes da E3 pois havíamos nos encontrado uma vez para acertar a possibilidade de dividir os gastos com hospedagem e aluguel de carro durante a feira. Um problema: o aeroporto de Los Angeles é tão bagunçado quanto a 25 de março (só quem já esteve nos dois lugares consegue fazer esse paralelo) e após passar por lá duas vezes, digo para o Pedro pegar o ônibus gratuito que vai para as lojas de aluguel de carros. Mais precisamente um ônibus azul gigante que vai para a Alamo! Pedro demorou 40 minutos para achar um ônibus azul gigante tal a zona que o aeroporto é. Quando finalmente nos encontramos, percebemos que temos cerca de 2 horas para ir para o nosso primeiro compromisso na E3, o EA Play!

“Não acho o ônibus azul da Alamo! Tem certeza que ele passa aqui?” ZAMBARDA, Pedro – Los Angeles – 2017

É frustrante! Chegamos ao local do evento, o mesmo ainda nem abriu os portões oficialmente, e já está lotado. A fila dá uma volta completa no quarteirão e algumas ruas são bloqueadas pelo excesso de pessoas. A EA distribuiu MUITO MAIS INGRESSOS do que a capacidade do local suportaria, então somos avisados por um funcionário da EA que a fila dificilmente entraria toda e que deveríamos voltar outro dia. MAS NÓS NÃO TERÍAMOS OUTRO DIA! A agenda estava cheia… e após muita conversa com o funcionário e tentativas frustradas de contato com o PR brasileiro da EA, desistimos e vamos nos encontrar com outras duas pessoas que ajudaram muito na construção e realização dessa viagem: Mayara Fortin e Luiz Ricardo Aguena Castro.

Mayara é PR e está lá trabalhando para o Void Studios e para o Drops de Jogos. Luiz Ricardo é o dono/fundador do Void Studios, vou falar bastante deles ainda nos próximos textos, mas num primeiro momento o que você precisa saber é que vamos nos encontrar com eles num restaurante dentro do Dolby Theatre. Sim… o local onde ocorrem as festas do Oscar, o local onde ocorrem várias premieres de filmes importantes… na Hollywood Boulevard! Na calçada da fama! Eu e o Pedro estamos deslumbrados… acabamos de sair de um Taco Bell, que poderia ser em um bairro de classe média de São Paulo e caímos em uma das ruas mais glamourosas de Los Angeles… aliás, de Hollywood, porque Hollywood não é Los Angeles. Hollywood é Hollywood… é o lugar das estrelas. Fico olhando para os lados para ver se encontro Leo DiCaprio ou Cameron Diaz andando pelas ruas e percebo que não tem tanto glamour assim. O máximo que vejo são pessoas fantasiadas de ícones do cinema e da música cobrando alguns trocados para tirar fotos com os turistas que são muitos. Imagina muito turista junto. Muito mesmo! Turistas! Com câmeras e tirando fotos de tudo… nesses 10 minutos que estou aqui devo ter saído em umas 300 fotos de outras pessoas, um aleatório na foto de outras pessoas.

Dolby Theatre… na Hollywood Boulevard o glamour passa longe! Na foto você pode ver cerca de 258 turistas, Elza, de Frozen e o Homem de Ferro!

Finalmente encontramos Mayara e Luiz… eles estão em uma casa de chá dentro do Dolby Theatre. Somos bem recepcionados por eles e conhecemos mais duas pessoas que estão hospedadas no AirBNB junto com eles, Shaun Wightman e Brian Stabile, eles são desenvolvedores e sócios no estúdio Astro Crow e estão na E3 para lançar seu novo jogo, Jai Alai Heroes, com eles vou perceber o lado B da E3. O lado indie… o lado do suor! Conversamos sobre banalidades… ninguém fala sobre a feira e o que está por vir. Eles ficam felizes pelo fato de ser a minha primeira vez, nos olhos deles posso perceber que eles estão ali com outra obrigações bem diferentes das minhas, eles vivem de jogos e precisam suar muito para que isso realmente aconteça.

Da esquerda para a direita: Eu, Brian, Shaun, marido da prima do Luiz, prima do Luiz que mora em LA, Luiz Aguena, Mayara e Pedro. Na casa de chá dentro do Dolby Theatre – Foto: Pedro Zambarda/Drops de Jogos

Mayara e Brian tomam muitos tipos de chás… Pedro está cansado e eu também, nos despedimos e marcamos de nos encontrar outras vezes durante a feira.

Amanhã é dia da conferência da Microsoft. Voltamos para casa… Pedro escreve para o Drops de Jogos… eu durmo logo após o banho. Temos uma fila imensa pra pegar logo cedo.

Jornalista, pai do Joaquim, marido da Carol, gamer… realizando um sonho aqui no Doze Bits!