E3 2017 Opinião

Como foi a E3 2017 para o Doze Bits em Los Angeles Capítulo 2, a conferência da Microsoft e um pouco de choro!

Todo mundo sabe que as conferências que antecedem a E3 são extremamente disputadas. Nelas as empresas mostram todas as novidades em formato de show. Novos consoles, novos jogos, divulgação de datas de lançamentos, aquela surpresa que ficou guardada a sete chaves… praticamente tudo é revelado durante as conferências, e esse ano não foi diferente. Continuando a saga que começou aqui, chegamos ao dia da conferência da Microsoft.

Já é dia 11, domingo, nem eu e nem o Pedro temos convite para a conferência da Microsoft. O PR deles aqui no Brasil não fez NENHUM ESFORÇO para ajudar os sites independentes que estavam indo pra Los Angeles, aparentemente, e só veículos grandes conseguiram convite para essa conferência. Então, vamos tentar a fila dos desesperados.

Tomamos café da manhã em casa, bem cedo, que é pra chegar cedo lá na fila e aumentar as chances. Meu café consiste em dois bagels, passados na torradeira elétrica, com cream cheese, um copo de pink lemonade e um capuccino de avelã que é sensacional. Imaginem um café com leite adoçado com uma colher de Nutella… pois é, perfeito e em cápsula, pena que era a única coisa do café da manhã que era limitada. Durante nossa estadia toda meu café da manhã foi esse.

Saímos de casa as 8:30 e chegamos ao Galen Center por volta das 9:00 da manhã. Após algumas voltas para procurar um estacionamento, deixo o carro na rua, afinal é domingo e os parquímetros estão desligados. Por volta de 9:30 chegamos à porta já procurando a tal da fila dos desesperados… a fila de quem não tem convite… a fila da esperança.

Uma das entradas do Galen Center, local da Conferência da Microsoft e palco dos jogos de basquete da Universidade do Sul da Califórnia (USC).

Encontramos três caras que estão lá parados e puxamos assunto pra saber da fila. Um deles diz “É aqui!”, um outro diz “É pelo portão leste” e o terceiro diz “Eu tenho convite, mas quero ser o primeiro a entrar!”. Ficamos por ali mais um pouco e conhecemos um peruano, Manuel Espinoza que é editor do site peruano Control Crítico,  e ele está na mesma situação que a gente. O cara parece ser gente boa e diz que o ideal é esperar por ali e tentar arrancar informações dos funcionários da Microsoft assim que forem passando. E assim fazemos… praticamente todas as pessoas com camisetas de staff do evento são paradas por nós. E aí aparece o Major Nelson (Larry Hryb, o cara que é a cara da Xbox Live nos EUA) e ele também não tem nenhuma informação, nem da conferência. É claro que perguntei sobre… ele apenas riu e disse que não podia comentar nada.

Já são 11:30 e ainda não sabemos como fazer pra entrar. Uma pessoa do staff vem até nós e nos diz para subirmos uma escada e entrar para registrar lá dentro. Fazemos isso e descobrimos que esse registro é pra quem já tem convite, não é o nosso caso. Voltamos a porta e agora já somos mais de 20 nessa fila, que agora é imaginária e não tem mais ordem nenhuma. Estou quase perdendo as esperanças de entrar… digo para o Pedro que vou procurar meu Nintendo Switch em algumas lojas e saio de lá por volta do meio-dia para ir até uma GameStop próxima. Depois de 15 minutos caminhando até o local do estacionamento, pego o carro e vou em direção a loja. Alguém me liga depois de 5 minutos. É o Pedro:

– A fila foi transferida para aquele local subindo as escadas, disseram que quem está aqui vai entrar.

Faço o primeiro retorno que encontro, volto para o Galen Center e acho uma vaga a dois quarteirões do local do evento. Desço do carro correndo e vou até o local. Eles ainda não entraram. Já é meio-dia e meio. Faltam apenas 90 minutos e nada é certo ainda. Uma porta se abre e dela sai uma mulher aos berros chamando àqueles que tem o email de confirmação ou convite para entrar… perguntamos se alguém que está ali vai entrar e ela diz que não sabe. Olho para os lados e faço uma contagem rápida, percebo que já somos mais de 100 ali e que não existe fila nenhuma. Ficamos próximos da porta. Eu, Pedro e Manuel… mas na nossa frente já tem umas 10 pessoas. 40 minutos depois a porta se abre novamente, a mesma mulher pede que a gente entre calmamente para fazer um cadastro e, assim, tentar entrar na conferência. Mas só os 40 primeiros conseguirão. Isso é o mesmo que dizer, quem entrar primeiro e se cadastrar vai conseguir entrar, o resto esperou à toa. A essa hora já não existe mais fila… eu, Pedro e Manuel nos entreolhamos e sabemos o que fazer. Mas nenhum de nós se importa com o outro nessa hora. As portas abrem e saímos correndo com o estouro da boiada. Alguém me segura pela mochila, olho pra trás puto e dou um puta tapa na mão de quem me segurou, era o Pedro, xingo mais uma vez.

Uma fila se forma em frente a algumas mesas para o cadastro. Manuel é o primeiro de nós a preencher, eu sou o segundo e Pedro o último. Mas algumas pessoas ficaram entre nós… tanto entre Manuel e eu, como entre eu e Pedro. Agora somos direcionados a uma nova fila. Após todos preencherem os cadastros, somos avisados que foi colocado o horário em cada um dos cadastros e que as pessoas vão ser chamadas de acordo com o horário, não é necessário continuar na fila. Sentamos próximos uns dos outros e eu tenho muita sede. Digo aos dois que vou comprar água. Saio e converso com uma pessoa do staff que me indica uma loja de conveniência do outro lado da rua. Outras pessoas que estavam na fila também estão saindo com a mesma intenção. Percebo um cordão de isolamento e vejo essas pessoas atravessando pelo cordão. Hesito. Volto atrás e o staff me pergunta: – Não vai comprar a água? – Faço que não com a cabeça e digo que se sair por aquele cordão dificilmente vou conseguir voltar. A menina ri e diz: “Boa escolha! Volte lá pra dentro e aguarde lá!”. Nenhuma daquelas pessoas que saíram conseguiram voltar até onde estávamos. Umas 40 pessoas acabaram de perder a chance de ver a conferência.

Volto para o local onde Pedro e Manuel conversam com outros caras agora. Esses caras são de Honduras e são responsáveis pela primeira revista de videogames do país. São 1:50. E eles começam a chamar os nomes de quem vai entrar… chamam vários nomes até chamarem o Manuel. Percebo que só restam 3 fichas nas mãos da mulher que está se esgoelando para ler nomes de chineses, peruanos, hondurenhos e… brasileiro. Sim… ela me chamou! Eu vou entrar… e ela só tem dois papéis nas mãos. Não chamou o Pedro. Não tenho nem tempo de olhar pra trás, a mulher indica um segurança e nos diz para correr atrás dele que ele nos levará aos nossos lugares. Ao passar por uma sala onde havia comida e bebidas, peço a uma staff uma água, ela sorri e me estende duas, pego sem cerimônia. Dou uma para o Manuel e fico com a outra. É a primeira vez que bebo algo desde o capuccino.

Da esquerda para a direita: El Gefe, Mendoza Tony, Manuel Espinoza, Pedro Zambarda e eu. Foto: Manuel Espinoza – Control Crítico

Chegamos aos nossos lugares e sentamos. Tento falar com o Pedro e ele me responde: – Entrei. – Fico mais calmo… e mando uma mensagem de Whatsapp para a minha esposa, no Brasil, dizendo: “Entrei na conferência da Microsoft” e quando a resposta chega (“A sua felicidade é a minha”), desabo a chorar. Percebo o quão importante é ter alguém que se importa com os seus sonhos. Alguém que sabe o quanto aquele momento é importante pra mim. Manuel me olha e sorri… “Eu não chorei, mas tive vontade!”.

A conferência começa… O Project Scorpio toma todos os telões. Phil Spencer está no palco. Nada mais importa! Nem as especificações do console, nem os jogos… não, pera! TUDO IMPORTA! O nome do novo console é Xbox One X, o nome é infeliz, muitos x, cacofonia… a platéia aplaude. Alguns momentos falando de especificações. Retrocompatibilidade com a família Xbox One e com seus acessórios. Olho para Manuel… ele sorri e diz que isso faz muito sentido.

Forza 7 toma os telões… ficamos impressionados. Um carro é apresentado ao mundo na conferência. Momento UAU número 1. Nunca um carro havia sido anunciado em um evento de videogames. A frase agora é “Rodando em um Xbox One X”. Muitos jogos aparecem, destaque para Assassins Creed: Origins, PlayerUnknow’s Battlegrounds (exclusivo Xbox One), um multiplayer com anões chamado Deep Rock Galaxy, State of Decay 2 (que parece ser o que o primeiro jogo prometia ser), The Darwin Project, Dragonball FighterZ tira o fôlego da galera que vai a loucura no fim do trailer, Black Desert e CodeVein são apresentados e o ritmo cai um pouco. Um grande gameplay de Sea of Thieves é mostrado, e o momento cute da conferência chega com o plataforma Super Lucky’s Tale, eu achei bem legal a Microsoft investir em um plataforma com um personagem novo. Terry Crews aparece, no telão, para apresentar Crackdown 3 e a platéia parece acordar com a voz e com as risadas do comediante. Shadow of War toma o palco e a galera delira mais uma vez. E quando Ori and the Will of the Wisps é apresentado eu volto às lágrimas… o jogo é lindo.

Lindo demais… confesso que foi o jogo que mais mexeu comigo na Conferência da Microsoft

Phil Spencer volta ao palco mais uma vez e anuncia que o Xbox One X será compatível com os jogos do primeiro Xbox! A galera delira, grita, esperneia… eu olho pro Manuel e nenhum de nós dá a mínima. A EA vem ao palco e apresenta o maravilhoso Anthem… e a conferência chega ao fim. A Microsoft mandou bem, mas ficou um gostinho de “está faltando algo”.

Saio do Galen Center em êxtase. Me encontro na rua com Nelson Alves Jr. e Bruno Arruda (Inside Xbox), Nelson me pergunta o que eu achei, falo que gostei mas que tenho ressalvas, Bruno concorda. Conversamos um pouco e ele diz que é legal me ver ali, que lembra da entrevista que fiz com ele uns anos atrás, mais precisamente 8 anos atrás. Agradeço a ele pela ajuda que me deu nesses 8 anos… ele realmente foi importante para mim. Me acompanhou bastante e me deu dicas valiosas. Era importante encontrá-lo por lá e agradecer… e o fiz!

Encontro com o Pedro e com o Manuel no local combinado, estamos indo para o Convention Center para pegar as nossas credenciais. Vamos pisar pela primeira vez, os três, no palco da E3. Manuel grava um vídeo com a minha “ajuda” (apareço no início do vídeo e viajo com a câmera no final). Foi mal, cara! Segue o vídeo!

Mais uma vez consigo estacionar o carro na rua, sem pagar nada, é domingo. E vamos andando até o Convention Center e… COMO ESSE LUGAR É GRANDE! Mais uma vez meus olhos se enchem de lágrimas, disfarço, tiro várias fotos, comemoro, MEU SONHO ESTÁ SENDO REALIZADO! E É MAIS INCRÍVEL DO QUE EU ACHEI QUE FOSSE! Entro pela primeira vez no Convention Center e muitas coisas estão sendo montadas no saguão de entrada… consigo ver estandes de Ni no Kuni 2, Crash Bandicoot e Sonic Mania, achamos o lugar do credenciamento. Não, não achamos… a imprensa deve se cadastrar no centro de imprensa, que fica no outro pavilhão. Encontramos Mayara e Luiz novamente. Vamos andando por dentro e podemos ver muitos banners de Shadow of War na ponte que liga os dois pavilhões. Chegamos no credenciamento de imprensa. Nosso check in é rápido e a sala de imprensa é impressionante.

Devidamente credenciado e feliz. Na porta do Convention Center não consigo conter a alegria.

Faço a primeira live do Doze Bits na E3 usando um dos computadores que a feira disponibilizou para o evento. Existem PCs, Macs, câmeras e armários disponíveis para quem quiser usar. Decido com a Mayara que vamos pegar um armário. O cadeado cedido pela E3 custa 3 dólares, escolhemos um armário grande para dividir, eu pago o cadeado e digo que vou ficar com ele de souvenir ao fim da feira, o atendente diz que o cadeado já é meu e que posso fazer o que quiser com ele. Eu e o Luiz Aguena conversamos sobre o tamanho do armário e chegamos a conclusão que cabem duas Mayaras lá dentro. E nem precisa apertar muito.

O tal do cadeado de 3 dólares.

Pergunto sobre o credenciamento da conferência da Sony que também está sendo feito lá e sou informado que é no outro pavilhão. Atravessamos tudo de novo, esse vai ser um caminho que vamos fazer muitas vezes nos próximos dias, e ao chegar lá descubro que o credenciamento da Ubisoft também pode ser feito lá. Para essas duas conferências eu tenho convites. Pedro e Manuel não. Faço os dois check ins, recebo uma pulseira de cada evento. Escondo as duas, elas são valiosas, mas esse é um pensamento brasileiro, ninguém liga se elas são valiosas, elas são minhas e pronto.

Nos despedimos de Manuel e vamos para casa… nosso dia foi longo e não temos o convite para a conferência da Bethesda… eu preciso dormir. Amanhã será um longo dia. A ansiedade deu uma baixada, mas ainda é grande por conta do PC Gaming Show, da Conferência da Ubisoft e da Conferência da Sony, todas no mesmo dia… Meu Deus! Meus pés dóem! Banho e cama!

 

Jornalista, pai do Joaquim, marido da Carol, gamer… realizando um sonho aqui no Doze Bits!