Opinião PC Preview

Torne-se o Rei do Coliseu no Divertido Arena Gods O premiado jogo da Supertype aproxima-se do seu lançamento e promete muita diversão multiplayer

Gamercom, evento de games que está rolando em Florianópolis neste final de semana (08 e 09 de julho). Entre telas rodando jogos AAA como Injustice 2, Horizon: Zero Dawn ou o atraente Playstation VR da Sony, era impossível não ouvir as risadas, gritos e provocações em torno do estande organizado pela Vertical Games da Acate (Associação Catarinense de Empresas de Tecnologia) para apresentar jogos desenvolvidos aqui na nossa região.

O barulho vinha dos grupos de pessoas que se alternavam nos quatro controles disponíveis para jogar Arena Gods, um título que vem sendo desenvolvido há dois anos pela Supertype Games e coleciona premiações e indicações em eventos, entre eles o de Melhor Jogo Multiplayer pelo Voto Popular no festival South by Southwest 2017, no Texas.

Arena Gods é uma espécie de twin-stick-melee, no qual o jogador utiliza os dois analógicos do controle para caminhar e direcionar seus ataques. Quatro gladiadores coloridos precisam se enfrentar em uma arena em disputas onde o vitorioso da rodada é o último homem de pé e ganha a partida quem atingir primeiro um número específico de vitórias.

A primeira coisa que impressiona no título é o capricho da Supertype com os pequenos detalhes visuais do jogo. A animação dos personagens é fluída e, apesar de utilizar movimentos realistas, apresenta um efeito “emborrachado” que torna o gameplay ainda mais macio e suave, com um target de 60 fps. A areia da arena responde à ação do combate, recebendo marcas de pegadas, corpos deslizando e até mesmo armas que caiam no chão, deixando suas silhuetas escritas no campo de batalha.

Apesar de sangrento, com desmembramentos e poças de sangue espalhadas na areia, Arena Gods tem um visual claro e colorido que dão ao jogo um aspecto lúdico e divertido. Os personagens parecem halterofilistas totalmente coloridos (o verde, em particular, constantemente me remetia ao Capitão Quark, da série Ratchet & Clank, o que o tornou um dos meus favoritos) e a violência do jogo é tratada com nível de galhofa que espanta qualquer dose de seriedade.

Mas este capricho visual não se sustentaria sem um gameplay que fizesse o público do evento se reunir e se divertir em torno do jogo. Arena Gods é um jogo simples, mas que vai progressivamente oferecendo camadas de complexidade.

Seu primeiro contato com a arena se concentrará, provavelmente, em torno de dois botões: um para atacar (inicialmente com socos) e um segundo para agarrar e arremessar as armas que surgem no cenário. A arena do combate muda a cada rodada e apesar das paredes e pilares que podem ser utilizadas como obstáculos, são as passagens nas paredes que afetam fortemente a estratégia. Como nos antigos jogos de tela única, personagens ou armas que saem por um lado da arena surgem imediatamente no lado oposto, permitindo que você surpreenda oponentes, corte caminhos ou até mesmo arremesse uma arma acidentalmente em suas próprias costas (o que produzirá gargalhadas homéricas em seus oponentes – aceite, pois dói menos).

No início do combate, os lutadores terão apenas seus punhos. Socos derrubam seus oponentes, mas para matá-los, é preciso socá-los várias vezes enquanto eles estão caídos, o que deixa você vulnerável aos oponentes. Por isto, a batalha dificilmente se conclui antes que as primeiras armas surjam na arena, o que ocorre de tempos em tempos. Espadas, lanças, tridentes, escudos e capacetes chegam ao campo de batalha através de alçapões e alteram o ritmo do combate, pois permitem eliminar seus oponentes com um único golpe ou arremesso.

Neste momento as novas camadas de complexidade entra em cena, com botões que permitem que os personagens rolem no chão ou deitem, evitando ataques em sua direção. Deitar-se sobre sangue no chão pode fazer seu oponente ignorá-lo, se ele estiver desatento, tomando-o por alguém já derrotado. Rolar contra a parede faz com que você se choque e fique zonzo, aberto a ataques fatais.

Com sorte e muita habilidade, você pode até mesmo pegar uma arma arremessada em você em pleno voo, virando o jogo. Um feito difícil, que exige um timing preciso, mas que certamente intimidará seus adversários.

Arena Gods não dá tempo para o jogador se frustrar com a derrota ou com um erro. Cada rodada do combate dura minutos ou até mesmo segundos, sem muito tempo para recomeçar a ação em uma nova arena. Dado o caráter caótico do combate, o jogo premia a consistência, dando o título de vitorioso ao primeiro que vencer um determinado número de partidas. Cada ciclo de jogo é muito breve, dando ao derrotado uma chance rápida de virar o jogo.

Pela experiência durante o evento, foi possível perceber que o jogo, embora pareça simples, oferece uma gama de opções estratégicas. Correr para uma arma que irá surgir pode lhe garantir a vantagem, mas pode lhe deixar vulnerável e previsível para os oponentes. Arremessar sua arma é sempre uma aposta e errar pode pesar a balança para o adversário. Usar as aberturas na arena pode surpreender o inimigo, mas também pode acabar em uma espadada em suas próprias costas. Um escudo pode lhe proteger contra a perigosa lança, uma das melhores armas do jogo, mas também pode ser arremessado, atordoando o outro gladiador e desarmando-o.

Arena Gods está em beta fechado ainda não tem data de lançamento confirmada, mas é previsto ainda para este ano no Steam. Até lá ele ainda deve receber novos modos de jogo, armas adicionais e ajustes de balanceamento, refinando os últimos detalhes e corrigindo desequilíbrios. O jogo também deverá chegar aos consoles, mas sem confirmações de quais serão as plataformas.

Se pudermos nos basear na receptividade que o jogo teve durante a Gamercom – onde era fácil ouvir as pessoas comentando sobre o quão divertido é o título – ele deverá ser um sucesso. Arena Gods promete ser o tipo de jogo ótimo para partidas online, mas que brilhará principalmente no multiplayer local, onde você possa rir e provocar seus amigos.

Designer por profissão e gamer de coração, Raphael é apaixonado por jogos que sejam imersivos e permitam que ele se esgueire por trás de seus inimigos, eliminando-os de forma silenciosa e impiedosa.

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