Análises Opinião PC Review

Marvel vs. Capcom: Infinite Muito aquém do esperado, indefinição e venda de DLC

Ah, os jogos de luta… Desde o campeão “Street Fighter 2” até os últimos títulos das séries “Street Fighter”, “Mortal Kombat”, “Fatal Fury/King of Fighters”, “Samurai Shodown” e  “Marvel vs Capcom” – passei por todos. O gênero conseguiu se adaptar muito bem tanto no arcade quanto no videogame pois tem embates rápidos que criam desafios interessantes – tanto no modo “versus IA” quanto no “jogador contra jogador”.

Para poder explicar a minha expectativa quanto ao novo jogo da Capcom, é preciso entender a evolução desses jogos. Os títulos desse gênero sempre brigaram entre si, seja pelos melhores gráficos, violência, história interessante, facilidade na jogabilidade, personagens diferentes ou alguma outra novidade que ele apresentava.

Marvel vs. Capcom: Infinite falha em diversos aspectos dessa corrida pelo jogo de luta mais atraente. E tentarei explicar meu ponto de vista.

O jogo tem modo história, arcade e multiplayer. Algumas mudanças nos botões removeram os socos e chutes médios, os botões agora servem de atalhos que antes eram apertando dois botões simultaneamente. Ele segue a ideia da franquia de escolher uma dupla de heróis, onde você pode alternar entre eles – apenas no modo arcade e multiplayer, no modo história você deve controlar os heróis que o jogo te indica, para poder seguir o conceito da história.

Tela de seleção de personagens no modo Arcade

Nesse momento vem o primeiro desafio de um título desses: como colocar numa história coerente, heróis tão distintos como Thanos (Marvel) e Arthur (Ghosts and Goblins), Chun-li (Street Fighter) e Frank West (Dead Rising) conversando e interagindo. Dá para simplesmente dizer que os universos colidiram porque as gemas do infinito foram usadas pelos vilões? Sim dá! Nesse momento é que o jogo não consegue assumir o seu verdadeiro gênero: humor. Entre cenas sérias com Capitão América e Chris Redfield (Resident Evil), você vê Haggar (Final Fight) e Homem Aranha fazendo piadas sem sentido, no meio de uma instalação da Umbrella.

Uma cena normal num jogo tão maluco.

Para fazer humor num jogo como esse eu acredito que os designers tem que passar essa impressão na escolha dos gráficos do jogo. Aí foi quando eu e Raphael Bonelli concordamos que a escolha de gráficos mais “reais” poderiam ser substituídos por desenhos menos detalhistas e mais fiéis aos jogos/quadrinhos que originaram os heróis. O desenho que aparenta duas dimensões lembra um pouco mais descontração, e não se prende tanto na suposta seriedade da história absurda.

Eis um exemplo de gráficos da geração retrasada

Ainda na parte gráfica não posso deixar para trás, os personagens ficaram extremamente mal feitos. A movimentação ficou estranha, o design ficou tosco, falta proporção, usaram o mesmo modelo para diversos personagens – o que deixou alguns deles muito iguais para um olhar atento. O cenário de fundo (que vale lembrar que são ilustrações com alguns movimentos) ficaram espetaculares, os universos misturados foram muito bem retratados nelas e ali acertaram em cheio.

Ryu com a mesma cara sempre, Thor tinha uma capa com ombreiras mais altas e Capitã Marvel exagerou no laquê.

Os comandos são mais fáceis do que outros jogos de luta, como é normal de se esperar da sequência de Marvel Vs. Capcom. Porém ficou muito mais fácil, podendo ofender o jogador experiente. Sabe quando você estava jogando Marvel vs. Street Fighter e vinha uma criança e colocava uma ficha para jogar contra você, apertava todos os botões ao mesmo tempo e ficava balançando o manete até quase quebrar e por incrível que pareça conseguir ganhar um ou dois rounds de você? Aqui ela tem a chance de chegar ao fim do jogo, não estou brincando. Fiz isso várias vezes quando estava meio apavorado apanhando de um combo de 36 hits e ganhava a luta.

Violência sempre permeia jogos de luta, não tem como isolar uma coisa da outra. No jogo, existem muitas animações do modo história e você nota uma falta de contato físico nessas cenas. Robôs são desmontados com golpes, decapitados, faíscas, peças para todo o lado. Mas quando o combate envolve dois heróis são omitidas as violências, não há sangue, não existe demonstração de que o golpe aconteceu, parece que todos são feitos de esponja. Chega ao cúmulo do Hulk pegar um fragmento pontiagudo e descer no melhor “estilo meteoro” em cima de um monstro gigante e quando deveria atravessar a criatura corpulenta – acontece uma explosão estilo Michael Bay – Sério? Infelizmente sim.

Termino dizendo que o jogo me decepcionou. Ele não foi feito para mim. Penso que ele tenha sido feito para uma criança, mas mesmo assim acho que existem jogos mais legais para crianças jogarem… Então ele falha em se encaixar num público e aí explica as críticas negativas. Até usei meu controle arcade, mas só deu vontade de voltar a jogar o antigo Marvel Vs. Street Fighter ou outros títulos anteriores… Uma pena.

Para fazer esse artigo eu usei o jogo versão padrão, sem DLC, para PC. O jogo está disponível para PC, PS4 e XBOX ONE.

Jogador de PC, tabuleiro, videogames antigos, RPG de mesa.
Troca tudo por uma boa conversa com os amigos, de preferência acompanhado de boa comida!

Vou fingir que não vi

Acho melhor você jogar outros títulos da série. Se ficou curioso com a história veja as "cutscenes" no youtube e tire suas conclusões.

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