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Review: Dishonored – Death of the Outsider Billie Lurk desafia a entidade mais poderosa das ilhas

Dishonored: Death of the Outsider coloca o jogador na pele da assassina Billie Lurk, também conhecida como Megan Foster, em uma aventura curta, mas bastante gratificante. Mas será que o novo título pode trazer novos admiradores para a série ou trata-se de algo apenas dedicado aos fãs?

Assim como vimos anteriormente com Metal Gear Solid: Ground Zeroes e Uncharted – The Lost Legacy, o Death of the Outsider é um meio termo entre uma expansão em DLC e um jogo completo, oferecendo uma experiência mais contida ao mesmo tempo em que experimenta novas ideias em uma situação de menor risco (do que envolvendo um jogo AAA de custo altíssimo).

O novo título da Arkane Studios coloca Billie Lurk (interpretada pela atriz Rosario Dawson) – braço direito do assassino Daud – no encalço do Estranho, a entidade do Vazio que concede aos personagens da série seus poderes místicos. Após um breve prólogo, a aventura leva o jogador por quatro diferentes cenários – inclusive revisitando uma das locações de Dishonored 2 – esgueirando-se entre guardas da cidade de Karnaca, autômatos mecânicos e membros do clero, em busca de pistas para sua missão.

Embora utilize a mesma engine e mecânicas básicas de Dishonored 2, Death of the Outsider aproveita para experimentar algumas novidades que dão um ar de frescor ao jogo. A primeira delas está no formato das missões, que agora não estão mais centradas em assassinar alvos, mas sim em obter pistas ou roubar itens, geralmente envolvendo múltiplos passos para isto. Também foram adicionadas missões secundárias que o jogador pode cumprir em troca de dinheiro ou novos amuletos.

Sem as runas do estranho, que eram utilizadas para aprimorar seus poderes, os amuletos encantados em ossos de baleia passam a ser a única forma de melhorar sua personagem, permitindo que você aumente o dano dos golpes, fique menos visível, mova-se mais rapidamente carregando um corpo ou até mesmo modifique sutilmente uma de suas habilidades mágicas.

Diferentemente dos jogos anteriores, nos quais o jogador definia e personalizava seu conjunto de habilidades, Billie Lurk conta com um conjunto fechado de poderes. Como padrão nos títulos da série, a protagonista conta como uma habilidade de deslocamento que permite marcar antecipadamente um local, para depois – no momento ideal – se teleportar para ele. Outro poder permite que ela saia do corpo, congelando o tempo e marcando coisas importantes, como objetos ou inimigos, e até mesmo criando um ponto para teleporte. A combinação destas duas habilidades permite que o jogador atinja lugares que, sem eles, seriam inacessíveis. Além destes, Billie ainda pode roubar a aparência de inimigos e conversar com ratos.

Mas a principal mudança no jogo está na forma como os poderes são abastecidos. A Arkane estúdio deixou de lado as poções para recuperação de poder e agora ele regenera-se automaticamente com o tempo. Estas foi uma das principais melhorias do jogo, pois dá mais liberdade para o jogador experimentar com suas habilidades, sem o contante receio de não ter mais poder quando necessário. Dishonored e Dishonored 2 faziam o jogador economizar poder ao ponto de evitar utilizá-los e acabar terminando os estágios com estoque cheio de itens não utilizados, enquanto em Death of the Outsider os poderes tomam os holofotes e passam a fazer parte da aventura de forma mais constante.

Por outro lado, o fato da personagem sempre contar com a mesma lista de poderes fez com que o Level Design – que sempre foi uma das estrelas da série – ficasse mais simples, parecendo deixar mais clara a sensação de que existe um caminho “correto” a se tomar no cenário. As fases ainda são amplas e o jogador pode optar por aproximações mais violentas ou furtivas, mas as opções de rotas e caminhos entre os ambientes parecem afunilar mais o jogador. Isto não significa que o jogo tenha ficado linear – nem nada do tipo – apenas que parece um pouco mais limitante do que o oferecido nos outros títulos da série, onde o cenário era obrigado a atender um grande número de combinações possíveis de poderes.

Mas, assim como The Lost Legacy explora como a série Uncharted funcionaria em um cenário semi-aberto e de movimentação mais livre, Dishonored: Death of the Outsider experimenta o impacto de pequenas mudanças na mecânica do jogo e que, com sorte, poderão ser adotadas em futuros títulos da franquia. O jogo certamente agradará aos fãs da série e oferece um pouco mais de 10 horas de aventura por um preço mais acessível. O custo mais baixo (cerca de metade do valor de um lançamento) poderia atrair curiosos, mas a narrativa do jogo exige que você tenha jogado os títulos anteriores para se sentir interessado pelo destino daquelas personagens e daquele universo.

A versão testada foi a de Playstation 4.

Designer por profissão e gamer de coração, Raphael é apaixonado por jogos que sejam imersivos e permitam que ele se esgueire por trás de seus inimigos, eliminando-os de forma silenciosa e impiedosa.

Uma Experiência Curta e Satisfatória para os Fãs de Dishonored

Dishonored: Death of the Outsider experimenta novas mecânicas, mas reduz a liberdade do jogador. Certamente agradará aos fãs da série, mas - apesar do preço - acaba exigindo uma dose de conhecimento prévio que afastará curiosos.

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