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Revisitando a nova galáxia de Mass Effect: Andromeda Será que vários patches e o efeito do tempo revelam um jogo mais promissor?

Como um grande fã da trilogia original, as pesadas críticas sobre os problemas técnicos de Mass Effect: Andromeda me afastaram do jogo em seu lançamento e fizeram com que eu priorizasse outros títulos surgidos na época. Entretanto, com o jogo sendo disponibilizado no EA Access e em diversas prateleiras de usados, achei que era hora de ver como o tempo havia tratado o título e descobrir se a grande quantidade de patches lançados para ele ajudaram a revelar uma joia bruta.

A verdade é que a Bioware fez um ótimo trabalho remendando o jogo após o lançamento. Nas dezenas de horas que me levaram do início ao fim do jogo, fui poupado de animações quebradas, olhos sinistros e bugs terríveis. Ainda é possível se deparar com um gatilho de evento não disparando ou algum glitch estranho durante uma cena de corte, mas Mass Effect: Andromeda agora é um título muito menos problemático – ao menos tecnicamente.

Mas ao invés de revelar um diamante bruto, a remoção da carapaça formada por expressões esquisitas e shaders equivocados revela apenas que Andromeda possui problemas estruturais muito mais sérios e que o foco em suas falhas técnicas apenas distraíram a atenção de uma experiência falha, cansativa, repetitiva e com uma séria crise de identidade.

Mass Effect: Andromeda coloca o jogador na pele de um dos irmãos Ryder (Scott ou Sara), que partiram da terra em uma viagem de 600 anos rumo à galáxia de Andrômeda, em uma iniciativa em busca de um novo começo para a humanidade e outras raças que compunham o universo da série.

As primeiras horas desta aventura são fascinantes, mas promessa de uma nova história, em uma nova galáxia com novas tecnologias e – quem sabe – novas raças alienígenas logo se desfaz. Andromeda convida os jogadores para uma jornada de descoberta e exploração, mas os leva para acampar no quintal de casa. Com um desenvolvimento tumultuado e cheio de problemas – que (segundo a matéria The Story Behind Mass Effect Andromeda, da Kotaku) começou com um jogo de mundos gerados proceduralmente e terminou em um remendo terminado às pressas em cerca de 18 meses – Mass Effect: Andromeda busca refúgio na familiaridade das idéias e clichês já definidos pela série, porém sem a mesma elegância e capricho.

A primeira raça alienígena encontrada neste novo ambiente – militarizada, bípede, com armas totalmente tradicionais – define o antagonismo e crava o tom monocromático e maniqueísta do título. A outra espécie exclusiva de Andrômeda, os Angaras, poderia fazer parte de qualquer outro título de ficção científica. Até mesmo a ideia dos proteanos da trilogia original – uma raça ancestral e que desapareceu misteriosamente deixando para trás uma tecnologia avançada – repete-se no papel dos jardaans. Os mundos visitados no papel de explorador são igualmente pouco imaginativos – um mundo de gelo, um desértico, uma floresta – nada que provoque no jogador a real sensação de estar explorando uma nova galáxia a 600 anos-luz da Via Láctea.

A falta de frescor repete-se na jogabilidade, ainda mais quando a comparamos com outros jogos de mundo aberto que elevaram o patamar do gênero nesta geração. O jogo é repleto de missões desinteressantes e buscas repletas de obstáculos que surgem apenas para prolongar a já dolorosa experiência. As armas disponíveis são totalmente esquecíveis e é difícil encontrar motivos reais para preferir um determinado rifle ao invés de outro e as habilidades que são liberadas com pontos de experiência tem tão pouco impacto no jogo que eu basicamente o terminei utilizando apenas os poderes iniciais (não era raro eu perceber que tinha dezenas de pontos para gastar, sem ligar para isto).

Isto não significa que tudo seja ruim em Mass Effect: Andromeda. O novo veículo utilizado para se deslocar nos planetas é agradável de dirigir e funciona bem. Alguns personagens são interessantes e as relações com o protagonista ocasionalmente se aprofundam (exceto os relacionamentos românticos. Céus… os diálogos românticos são péssimos). A narrativa tem seus bons momentos e consegue provocar risadas ou ou apresentar alguns momentos mais dramáticos.

Foram várias as ocasiões em que pensei em desistir, sendo impelido em frente apenas pela minha obsessão em terminar os jogos que começo.

Entretanto, para um jogo que se propõe a render dezenas e dezenas de horas, Andromeda falha em oferecer uma experiência fresca ou mesmo um loop de gameplay satisfatório. Quanto mais longo o jogo ficava, menos eu o apreciava e fala muito sobre ele dizer que foram várias as ocasiões em que pensei em desistir, sendo impelido em frente apenas pela minha obsessão em terminar os jogos que começo.

As últimas horas do jogo – tal qual as primeiras – ofereceram o ponto mais agradável de toda a aventura. Uma série de eventos frenéticos afunilam o jogador no trecho final de Mass Effect: Andromeda e culminam em um reencontro emocionante e que realmente dá vida às relações entre os membros da equipe de exploração do protagonista. Por um instante, me peguei pensando que eu queria uma continuação para esta aventura… queria saber mais sobre estes personagens e como estas relações evoluiriam.

Então o jogo resolveu me apresentar um gancho para uma expansão (que, devido ao fracasso do título, será convertida em um livro) e mais uma série de tarefas preguiçosas e insossas pós-fim-do-jogo. Isto me fez lembrar que tenho outras coisas muito mais interessantes para jogar.

Mass Effect: Andromeda está disponível para Playstation 4, Xbox One (onde pode ser jogado através do programa EA Access) e Windows. A versão testada foi de Playstation 4.

Designer por profissão e gamer de coração, Raphael é apaixonado por jogos que sejam imersivos e permitam que ele se esgueire por trás de seus inimigos, eliminando-os de forma silenciosa e impiedosa.

Cansativo, familiar e repetitivo.

Mass Effect: Andromeda promete uma viagem pelo novo e desconhecido, mas se contenta em oferecer uma experiência familiar, desprovida até mesmo das melhorias já apresentadas por outros jogos modernos de mundo aberto.

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