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Review – Dandara Você não pode andar, mas não sentirá falta

A primeira vez que vi Dandara, jogo desenvolvido pelos brasileiros da Long Hat House, fiquei muito impressionado com a beleza gráfica do pixel art deste Metroidvania com inspirações na cultura brasileira, mas fiquei preocupado com sua jogabilidade. O trailer de revelação nos trouxe uma personagem que não pode andar e deve se mover somente saltando entre o chão, as paredes e o teto. Em poucos minutos de jogo controlando a ágil heroína, essa preocupação se desfez.

A história do jogo é simples: Numa realidade onde existia o equilíbrio, a “ideia dourada” cresceu para dominar e oprimir todo o restante e então, no Berço da Criação, Dandara acorda. Essa metáfora entre liberdade e criatividade contra o controle e ganância não é aprofundada, mas funciona muito bem como motivação ao jogador.

Dentro deste contexto estão algumas influências da cultura brasileira. Dandara, nossa heroína, é uma histórica guerreira negra, Brasileira, que lutou pela abolição da escravatura. Após ser presa, para não voltar a ser escrava, se suicidou atirando-se à um abismo no dia 06 de fevereiro de 1694. Em homenagem à luta pela liberdade de Dandara, o mesmo dia e mês foram escolhidos para o lançamento do jogo que leva o seu nome.

Outra referência que certamente chamará muito a atenção dos jogadores brasileiros é Tarsila. Ela é um dos personagens que ajuda Dandara em sua aventura, e é representada pela famosa obra “Abaporu” de Tarsila do Amaral. Além dos personagens, tanto o cenário quanto as animações são feitas com bastante capricho e ajudam na fluidez do jogo.

Falando em fluidez, o que mais chama a atenção em Dandara é a movimentação. Retirar o deslocamento lateral e o pulo convencional foi uma decisão ousada dos desenvolvedores, mas essa inovação é o que o separa de toda a enxurrada de jogos do estilo Metroidvania. Ela funciona assim: o jogador tem liberdade para apontar em 360 graus e isso serve tanto para os disparos de energia que derrotam os inimigos, quanto para seus saltos. O diferencial é que os saltos só podem ser realizados em áreas específicas (por vezes é a superfície inteira de uma parede, em outras somente porções), havendo uma correção caso mire em um local que a personagem não pode saltar. Esse é o ponto chave para que a mecânica funcione de forma ágil e fluida. Em questão de minutos o jogador entra no “modo Dandara” e enfrenta as dificuldades do jogo pensando a partir de como a personagem se move. O único defeito dessa liberdade é que algumas vezes a orientação do jogador fica confusa em relação as áreas e saídas, e o mapa do jogo não possui informações suficientes para facilitar a exploração.

Algum desavisado pode pensar que essas mecânicas novas de jogo poderiam servir de desculpa para que a Long Hat House entregasse um jogo sem muita dificuldade, para que o jogador se sentisse muito poderoso com seus saltos e agilidade… mas não é bem assim. A primeira parte de Dandara não oferece muitos desafios. É uma etapa de aprendizado. Porém, haverá uma parte em que o próprio jogo avisará (no sentido literal mesmo), que os desafios a partir daquele ponto serão difíceis… e eles serão. Quando perceber, Dandara estará cercada por vários inimigos e disparos e ficar parado poderá ser fatal.

Dandara privilegia o movimento. Seu level design lhe coloca em situações que nunca são injustas e a variedade dos inimigos faz com que seja intuitivo planejar sua ação. Alguns serão imóveis e dispararão em você, outros virão “andando” em sua direção, outros estarão no ar… Mas os combates mais interessantes de Dandara são as batalhas contra os chefes. Possivelmente algumas das melhores do gênero.

Todas as melhorias da personagem estão relacionadas ao combate: você ganha Sal (recurso do jogo) ao derrotar inimigos ou em baús espalhados pelo jogo, e novos tipos de ataque. Algo que é comumente bem aplicado em Metroidvania, Dandara falha ao não conseguir prender o interesse do jogador em explorar áreas já visitadas com novas habilidades, pois as poucas que existem manipulam somente uma parte específica do cenário e não modificam as mecânicas do jogo.

Com um preço de R$26,99 na Steam (US$14,99 nos consoles) é impossível não recomendar Dandara. O jogo transpira carinho e capricho de seus desenvolvedores, tem orgulho de sua origem e inova num quesito praticamente intocável em jogos do seu gênero. Impressiona saber que foi desenvolvido por 4 pessoas. Com sua excelente movimentação, level design e boss fights, Dandara é um dos melhores títulos disponíveis na eShop do Switch e pensar no que a Long Hat House poderá realizar com mais recursos e mais tempo é muito animador. Aguardaremos ansiosamente.

Gamer e músico, fascinado por RPGs, Rush, Shmups, Deep Purple, Action-Adventures e trilhas sonoras de jogos. Um dos seis do doze.

Sangue, suor e saltos.

Metroidvania com cultura brasileira. Sua movimentação em saltos é fluída e faz com que você entre facilmente no modo "Dandara" e enfrente as dificuldades do jogo pensando a partir de como a personagem se move. Aliado ao excelente level design e boss fights, Dandara é um dos melhores títulos disponíveis na eShop do Switch até o momento.

10

2 Comentários

  • Ivo Rafael
    17 de fev, 2018 08:26

    🙂

  • caladras
    19 de fev, 2018 09:39

    Parece bem interessante.