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Review: Muita Lutcha e Desafios de Plataforma em Guacamelee 2 O novo jogo da DrinkBox leva Juan Aguacate em uma aventura pelo Mexicoverso

Era final da década de 90 e eu ia com os amigos ao cinema assistir ao filme “A Máscara de Zorro” nos cinemas, um filme que – de certo modo – parecia inaugurar um estilo novo de filmes de ação, mesclando a aventura com boas e equilibradas doses de comédia. O ano seguinte viu “A Múmia” seguir a mesma linha e você pode se perguntar o que estes dois filmes e o jogo Guacamelee 2 – o metroidvania e jogo de plataforma da DrinkBox Studios – têm em comum.

Pois bem, ambos os filmes receberam continuações nos anos seguintes que novamente compartilhavam características. Fascinados por seu próprio humor, ambos esqueceram todos os outros elementos que fizeram dos títulos anteriores obras memoráveis, acabando como comédias insossas e cansativas. Focar exageradamente naquelas que foram qualidades e diferenciais no primeiro jogo, em detrimento de outros elementos, é um dos traços marcantes de Guacamelee 2.

Um Retorno ao México Fantástico

Retornamos à versão fantástica do México em Guacamelee 2 na pele de Juan Aguacate, o ‘lutchador’ que derrotou o perigoso Calaca no primeiro jogo. Depois de sua vitória, Juan se casou com Lupita e teve filhos, descuidando do seu corpo e de suas habilidades de luta, mas um novo perigo surge e ele é obrigado a novamente vestir sua máscara e lutar pelo bem não apenas da sua terra, mas também de outras versões dela em outras dimensões.

Em poucos segundos de jogo Guacamelee 2 já começa a brincar com referências.

Nesta aventura pelo Mexicoverso (em referência ao “Aranha-verso”, que reúne versões do Homem-aranha em diversos universos), o jogador encontrará personagens já conhecidos além de diversos novos e precisará lutar, explorar e resolver desafios de plataforma para conquistar seu objetivo e proteger sua família.

Utilizando mecânicas já familiares a quem jogou o primeiro título, Guacamelee 2 concentra sua atenção no humor constante e em desafios de plataforma com dificuldade bastante elevada.

Avançando Sobre a Estrutura Familiar

Durante o decorrer de sua aventura, Juan Aguacate precisará desbloquear suas habilidades novamente – perdidas devido à vida acomodada que levou após a derrota de Calaca. O jogador não verá muitas novidades neste sentido, visto que as habilidades são praticamente as mesmas já conhecidas, como a Barrigada Anfíbia ou o Gancho de Galo. A mudança mais forte está na forma de Galinha do lutchador, que agora não serve apenas para se deslocar por passagens estreitas, mas também tem habilidades de luta e pode desbloquear uma lista própria de habilidades que serão necessárias em diversos desafios de plataforma.

Como principal diferencial o jogo conta agora com um modo cooperativo para até quatro jogadores, permitindo que você se una a outros três amigos na campanha. O modo afeta muito pouco o jogo em si e permite que os jogadores adicionais saiam e entrem na aventura a qualquer momento, apenas aumentando a diversão de jogar acompanhado.

Piadas e Memes por Toda Parte

Como já citado anteriormente, uma das principais características do primeiro Guacamelee era o humor e a citação de memes durante o jogo. Isto volta com força total nesta sequência e estou falando realmente de FORÇA TOTAL!

Guacamelee 2 não para um segundo de tentar fazer o jogador rir, emendando piada atrás de piada e a quantidade faz com que a qualidade flutue um bocado. Estão de volta os trocadilhos e as referências a outros personagens e jogos, mas a constância com a qual o jogador é bombardeado pelo humor causa uma espécie de dormência ou dessensibilização que acaba tirando o impacto até mesmo das boas piadas, soterradas por sequências de tiradas de qualidade duvidosa.

Uma esposa, dois filhos e uma barriguinha no futuro de Juan.

O jogo ainda aproveita para responder aos críticos do título anterior dedicando uma área aos comentários negativos sobre o excesso de referências a memes, um dos lampshade hanging (quando um autor resolve ressaltar um problema, ao invés de escondê-lo, e seguir a diante) mais estranhos que já vi em um videogame.

O Dark Souls dos Jogos de Plataforma

Desculpe o título, eu simplesmente não conseguir resistir – afinal, estamos falando de um jogo que faz constantes referências a outros jogos. Mas não, Guacamelee 2 está longe de ser um jogo de dificuldade insana como Super Meat Boy ou Celeste. Entretanto, ele coloca uma ênfase grande em seus desafios de plataforma e acaba perdendo um pouco do equilíbrio que tornava o primeiro jogo mais agradável.

Assim como no primeiro jogo, Guacamelee 2 coloca o jogador contra uma série de desafios onde será necessário ter precisão e agilidade para combinar saltos e golpes para alcançar seu prêmio – geralmente um bônus de vida ou energia para o personagem. Todavia, a quantidade de desafios é muito mais constante e embora seja um prato cheio para quem gosta de enfrentar dificuldades, ela flerta o tempo todo com a frustração. Em particular nas sequências que precisam ser executadas na forma de galinha, que possui controles mais frouxos e menos precisos. Alguns trechos, em especial aqueles nos quais você precisa controlar o voo da galinha com o botão de pulo sobre colunas de ar em movimento, me fizeram pensar em largar o controle.

Conversar com os NPCs pode ser fonte de boas risadas.

A mecânica de “mudar de plano” também é bastante utilizada nestes desafios, permitindo que o jogador mude o fluxo de movimento do personagem ou das plataformas, além de alternar áreas seguras ou mortais. Quando os controles funcionam com precisão, estes desafios obrigam o jogador a uma espécie de “dança” entre os botões do controle, fazendo com que o sucesso seja uma conquista bastante satisfatória.

O maior problema com o excesso de trechos de plataforma é que eles acabam prejudicando a exploração do jogo, um item crucial para jogos do estilo metroidvania. Em diversas ocasiões a ideia de revisitar um trecho do mapa para verificar uma área não explorada ou tentar pegar algum baú simplesmente me parecia muito penosa e cansativa. Para um jogo que espera que você faça algum nível de backtracking (retornar em áreas já visitadas), Guacamelee falha em tornar o deslocamento do personagem prazeroso.

Qual é o Tempero Secreto do Nacho Sagrado?

Sequências não são fáceis de serem concebidas e sempre será um desafio produzir algo a altura do seu antecessor – em especial quando o título anterior tem qualidade tão alta. A DrinkBox acaba falhando em entender o equilíbrio entre as partes que torna o primeiro Guacamelee especial e acaba produzindo uma continuação na qual o enfoque excessivo em determinadas características pesam negativamente sobre outras.

Isto não faz de Guacamelee 2 um jogo ruim e os fãs do primeiro certamente irão se divertir com a nova aventura de Juan, o lutchador. Entretanto, ele acaba soando como um jogo menos coeso e estruturado em suas partes.

Assim como os filmes de aventura e humor do final dos anos 90 e suas sequências do início dos anos 2000, Guacamelee 2 parece trazer todos os ingredientes que fizeram do seu antecessor tão memorável (minhas duas Platinas, em Guacamelee e Guacamelee: Super Turbo Championship Edition falam sobre o quanto gostei deles), mas com um desequilíbrio no qual certos sabores se destacam ao ponto de esconder outras sutilezas.

PRÓS:

  • Ação divertida e combate com boas variações;
  • Ótimo desafio para quem gosta de desafio.

CONTRAS:

  • Exploração cansativa e laboriosa;
  • Humor cansativo e com qualidade muito flutuante.

Guacamelee 2 está disponível para Playstation 4 e Steam e foi jogado no Playstation 4 Pro. A cópia avaliada foi adquirida com recursos próprios.

Designer por profissão e gamer de coração, Raphael é apaixonado por jogos que sejam imersivos e permitam que ele se esgueire por trás de seus inimigos, eliminando-os de forma silenciosa e impiedosa.