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Arrancando lágrimas do satanás com Devil May Cry 5

É notável que nos últimos anos a Capcom vem numa sequência consistente e efetiva de lançamentos, se redimindo com fãs de inúmeras franquias consagradas que pareciam esquecidas e acertando na qualidade dos seus jogos. Agora é a vez de Devil May Cry, que em sua última publicação em 2013 dividiu opiniões por entregar um reboot da história e personagens da franquia. Com Devil May Cry 5 a Capcom ganha a tarefa de garantir seu combo de altíssima qualidade, manter o legado da franquia e oferecer uma sequência que volta a história original, prometendo um jogo de visuais e gameplay impressionantes.

Don’t stop me now, cause I’m having a good time…

Após de uma lista inacabável de caixas de diálogos com confirmações de DLCs instaladas no jogo, Devil May Cry 5 inicia sua apresentação de forma excelente. Não antes de completar as configurações iniciais, onde é oferecida a opção de ativar tutoriais, seleção do idioma em inglês ou japonês e as configurações de dificuldade. O jogo possui uma opção na tela de título que inicia um video de contextualização, contando em uma narrativa de imagens e textos a sequência de fatos dos títulos anteriores, obviamente excluindo da jogada o reboot de 2013.

Ta no inferno, se abraça com o capeta

A cutscene inicial mostra o patamar gráfico impressionante do título, expressões faciais muito realistas são vistas nas apresentações de Nero, Dante e o novo personagem V. Logo em seguida o jogador é colocado no controle de Nero e a missão de introdução é iniciada, a deixa para os tutoriais básicos e a apresentação do gameplay do personagem.

O ritmo do jogo é ditado pelo sistema de missões, sempre com uma cutscene de inicio e outra de conclusão. A introdução utiliza aquele clássico esquema de narrar uma situação de tensão da história para logo em seguida lançar o jogador alguns meses no passado para iniciar de fato a história. A partir de então, o jogo segue uma linha do tempo e apresenta a data, local e hora das sequência de acontecimentos da missão atual.

Raining blood from a lacerated sky

Sempre tive uma característica curiosa como gamer: nunca fui um gigante apreciador do gênero de hack ‘n slash. Isso mudou com a chegada de Bayonetta em 2009, nada melhor que ser iniciado no gênero pela a obra Hideki Kamiya, famoso como game designer da Platinum Games e por ter participado justamente da criação da franquia Devil May Cry e outros grandes títulos durante seu tempo na Capcom. Desde então minhas experiências com o gênero tem sido centrada justamente nos elementos que fazem Devil May Cry e Bayonetta famosos: combate ágil, fluído e com combos inacabáveis.

Formato de tutoriais durante o jogo

Dito isto, minhas expectativas ao iniciar o jogo é de imediatamente ir com sede ao pote verificar se o mesmo entrega tal conjunto de experiência que oferece esse encaixe tão característico. Se tratando de um clássico do hack ‘n slash, fica claro que as expectativas para as mecânicas de combate em DMC 5 são as mais altas possíveis.

Felizmente o jogo não decepciona em entregar uma ação empolgante e dotada de bastante fluidez, não apenas com Nero, mas com todos os outros personagens jogáveis. Falando no Nero, seu gameplay está centrado em 3 equipamentos: espada, pistola e seu braço biônico conhecido como Devil Breaker. A velocidade da resposta dos comandos formam um sentimento de combinações de golpes muito satisfatórios e bem encaixados, a agressividade dos ataques também colabora com a empolgação.

O Devil Breaker acaba sendo o foco das atenções no gameplay de Nero, onde é possível substituir qual peça de braço será utilizada, moldando bastante o estilo de combate que o personagem terá. Nero possui um estoque de braços biônicos durante as missões, e o jogador pode sempre que quiser explodir seu Devil Breaker atual para substituir para o próximo na lista.

As missões estão sempre forradas de braços substituíveis largados ao redor do mapa, permitindo um estoque sempre cheio. A medida que o jogo progride novos Devil Breakers são liberados pela Nico, amiga de Nero, motorista da Van loja com o nome do título do jogo, onde ela mesma constrói os novos equipamentos que são colocados à venda. É a partir dessa variedade que a Capcom apresenta algumas micro transações para desbloquear permanentemente equipamentos bem únicos, como por exemplo o braço do famoso robozinho azul, o Megaman.

É a ferro e fogo….Neroman!

Falando em combate, para quem já conhece a franquia sabe como funciona: sempre que uma situação de combate se inicia, o cenário que o jogador se encontra é fechado e só volta a abrir quando todos os inimigos são derrotados. É ai então que entra o clássico sistema de combo a intensidade das sequências de golpes realizados pelo jogador aliado com sua capacidade de permanecer intocado pelos ataques inimigos garante que uma barra vá sendo preenchida.

A barra de combo se apresenta no formato de letras, a medida que o combo vai crescendo, as letras vão sendo preenchidas e trocam na sequência iniciando da letra D, crescendo para C, B, A, S, SS e finalmente SSS como a mais alta. Dependendo de qual letra se conclui o combate, uma determinada pontuação é concedida, que é contabilizada para calcular o desempenho final do jogador na missão, que assim como na barra de combo, é avaliada na mesma estrutura de letras.

Avaliação final da missão

O gameplay com os outros personagens também brilha, é notável a preocupação de DMC 5 em permitir que a troca de personagem signifique uma renovação na forma de jogar. O destaque porém vai para o gameplay de V, o personagem possui uma movimentação extremamente limitada e lenta, engajar no corpo a corpo com ele não funciona muito bem. DMC 5 então busca compensar essas limitações com um sistema de combate focado em manipular Griffon e Shadow, animais falantes com personalidade própria que moldam a forma de controlar V.

Griffon é uma águia capaz de ataques de longa distância controlada no botão X / Quadrado, enquanto Shadow se trata de uma pantera com foco em combate corpo a corpo controlado no botão Y / Triângulo, ambos possuem suas próprias barras de vitalidade, assim como o próprio V. Sempre que um inimigo está próximo de morrer, V precisa ir até o mesmo para só ai então finaliza-lo, forçando o jogador a sempre saber estar gerenciando quando estar próximo ou longe dos grupos de inimigos.

O título também se faz muito competente em apresentar o gameplay de V para o jogador, a missão em que o mesmo é introduzido como personagem jogável possui um design de estágio totalmente focado em ensinar de forma fácil como o estilo de combate de V se distingue.

Introdução de V

A experiência de combate ainda assim possui alguns pontos de melhoria, a posição da câmera em relação ao personagem influencia na direção da execução dos ataques, muitas vezes confundindo a combinação de botões no controle. Outro problema é a trava de mira, um jogo como DMC 5 exige que o jogador esteja sempre freneticamente apertando os botões principais do controle, a trava de mira porém necessita que esteja sempre apertando o RB/R1, muitas vezes atrapalhando a pegada do controle e causando dores nas mãos.

Apesar dos problemas, o resultado final ainda é excelente, as trocas de personagens são sempre muito bem vindas a ação nunca se faz cansativa e mantém o jogador entretido o tempo todo.

Hey girl you’ll land it, you’ve got supplies if they demand it

A medida que as missões vão sendo concluídas começa a tomar forma o padrão de como elas se organizam, estabelecendo inicialmente o estado atual da trama, para então permitir que o jogador customize seu arsenal inteiro de equipamentos e habilidades na van da Nico antes de iniciar a missão atual de fato. Através dessa customização prévia o jogador é apresentado ao catálogo de compras que envolve novas habilidades, Devil Breakers diferentes, além de equipamentos e itens diversos.

Todas as customizações são compradas com as esferas vermelhas que são adquiridas aos montes durante as missões, permitindo uma progressão de desbloqueio bem acelerada. Liberar novas habilidades tornam inclusive a dinâmica do jogo muito mais interessante uma vez que o jogador consegue criar variações de combo cada vez maiores e frenéticas.

She’s coming down fast

Novas customizações também podem ser feitas em checkpoints no meio das missões, em tom bastante cômico muitas vezes Nero poderá fazer ligações em telefones inexplicavelmente ainda funcionais no meio dos estágios, e Nico virá mais inexplicavelmente ainda com sua Van até o Nero está.

Após concluir as customizações desejadas e iniciar de fato a missão. A partir da missão 7 o jogador pode então escolher com qual personagem deseja jogar, se a missão permitir. Essa escolha de personagem também afeta muitas vezes a rota da missão, o resultado é que a escolha do personagem pode alterar completamente o roteiro do estágio.

Ao decorrer das missões novos inimigos sempre são apresentados, DMC 5 sempre destaca a introdução de um novo adversário através de uma rápida cutscene seguida de uma tela com o nome do tipo de inimigo. Existem também missões secretas curtas que podem ser acessadas através de alguns quebra-cabeças simples durante os estágios principais, normalmente envolvendo atividades curtas e simples, após descobrir pela primeira vez uma missão secreta, ela se tornará selecionável no menu principal do jogo.

Todo novo inimigo possui uma apresentação própria

Alguns colecionáveis especiais sempre estarão espalhados pelos estágios, por exemplo os fragmentos de esfera azul funcionam como uma extensão da barra de vitalidade do personagem sempre que 4 delas forem acumuladas. A utilidade dos colecionáveis encaixam bem na progressão das missões e motivam o jogador a querer estar sempre vasculhando o mapa para não deixar nada para trás.

Quase todas as missões possuem um chefe especial no final independente de sua duração. Algumas missões por exemplo possuem apenas o chefe para ser enfrentado, enquanto outras se estendem por bastante tempo para terminar sem nenhum combate especial de conclusão. Apesar dos padrões percebidos, as leves variações que cada missão possuem tornam as mesmas bastante diferentes uma das outras, melhorando mais ainda o ritmo e diversidade de experiência do jogo até a sua conclusão.

Engenheiro de software, baixista e entusiasta de um monte de coisa. Joga qualquer jogo desde que não seja sobre futebol.

It's been a long time since I rock and rolled

Não resta dúvida de que Devil May Cry 5 acerta em cheio, o título oferece um gameplay muito empolgante, uma progressão divertida e uma variedade perfeita de personagens e um fator replay efetivo, criando um jogo que engaja imediatamente até seu fim. Novos tempos para a Capcom.

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