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Brasil Game Show 2019 – Impressões

A Brasil Game Show – o terceiro maior evento de games do mundo e o maior da América Latina – é sempre um momento especial do ano para mim. Não apenas pela chance de passar 5 dias imersos neste incrível mundo dos games, cercado de pessoas importantes do cenário e amantes do hobby, mas também por permitir o reencontro com amigos incríveis.

O mundo dos games está mudando. A minha turma está envelhecendo, uma nova gurizada vem chegando com novos hábitos e demandas, e somado ao momento em que uma geração de consoles está saindo de cena enquanto o cenário é preparado para a próxima, é natural que o evento acompanhe estas transformações.

Menos Consoles, Mais PC

A primeira mudança notada na BGS 2019 é o aumento na presença de estandes voltados ao mercado de PCs, principalmente de acessórios, enquanto aqueles dedicados aos consoles pareciam mais tímidos. Claro que ainda temos os espaços grandiosos da Sony e Microsoft no coração do evento (enquanto a Nintendo volta a molhar seu pé na água, com um estande mais modesto), mas eles parecem cercados por estandes gigantes de empresas como Razer, HyperX, Logitech, AOC, Acer e Lenovo, sem considerar outras espalhadas como Asus, Corsair, Intel, Warrior, WD e outras.

Aproveitando para tirar fotos enquanto as pernas aguentam.

O desequilíbrio fica óbvio quando consideramos a minha busca por comprar um controle de Xbox One no evento – impossível de encontrar. Mas não faltavam ofertas incríveis de teclados mecânicos, mouse pads, microfones, headsets e webcams para jogadores e streamers.

Streamers também não faltaram e celebridades do meio podiam ser encontradas tanto nos estandes dedicados (como Twitch, Youtube Gaming e Facebook Gaming) quanto naqueles de marcas não relacionadas ao mercado de games, mas que buscavam conexão com este público, como aquela marca de refrigerantes de laranja que até enjoei de tanto tomar durante a feira.

Poucas Novidades sobre Jogos

Os jogos – principalmente aqueles ainda não lançados – ficaram limitados a poucos estandes, um reflexo do fim da geração, quando já conhecemos a maioria dos títulos que sairão até o próximo ano, enquanto as principais novidades estão sendo guardadas a sete chaves até o anúncio dos novos consoles.

A Microsoft focou seus esforços em um estande divertido e no Game Pass, com estações dedicadas aos jogos disponíveis no serviço, enquanto trazia novidades como Minecraft Dungeons e Bleeding Edge (o novo jogo multiplayer da Ninja Theory).

A piadinha com a BGS na demonstração de Battletoads foi um toque incrível.

A Playstation, por sua vez, trouxe estações com jogos disponíveis na coleção Greatest Hits e algumas novidades como Pretador: Hunting Grounds e o disputadíssimo Final Fantasy VII Remake. O cinema do estande, geralmente um espaço reservado à demonstrações exclusivas e fechadas, limitava-se à apresentação de 20 minutos de vídeos de Death Stranding, todos já disponíveis no Youtube.

A Nintendo, por sua vez, volta a BGS com um estande focado em estações com diversos títulos já disponíveis no Nintendo Switch, trazendo como grande estrela a demonstração de Luigi’s Mansion 3, que continua charmoso e divertido.

Fora as 3 grandes, o único estande com novidades era o da WB Games, onde era possível jogar o novo Monster Hunter World e também o beta de Project REsistance, o spin-off multiplayer assimétrico de Resident Evil que nos pareceu bastante desequilibrado nesse primeiro momento.

Ano Que Vem Tem Mais

Claro que estandes incríveis de outros anos como os da Ubisoft ou da CD Projekt Red fazem falta no evento, mas a Brasil Game Show sempre será um retrato do seu momento no mundo dos games. Quem foi, teve a chance de aproveitar o incrível show da Video Game Orchestra com Shota Nakama ou garantir um encontro e autógrafo com grandes nomes como Charles Martinet (a voz por trás de Mario e vários outros personagens) ou Al Lowe (mente criativa dos jogos da série Leisure Suit Larry).

Lotação total no sábado e domingo.

O grande estande da Epic Games dedicado ao Fortnite e o evento do buraco negro acontecendo ao vivo durante a Brasil Game Show servem para mostrar a força do evento e a importância do mercado brasileiro para a empresa, dona de um dos maiores fenômenos mundiais dos games de todos os tempos.

Para quem curte as novidades, o ano que vem deve ter um apelo diferente no evento, já que será bastante movimentado pelo anúncio e lançamento de novos consoles, com muita coisa para ser apresentada, mostrada e testada.

Sem dúvida, estaremos lá!

Conteúdo Adicional

  • Na área Dell do estande da Microsoft, os notebooks com placa RTX rodavam Metro Exodus – título famoso pela qualidade dos seus efeitos de ray tracing. Porém, a função estava desabilitada nas opções. Não faz sentido mostrar o notebook sem destacar sua principal característica, né pessoal?
  • A Logitech continua emplacando ótimas promoções no evento e mais uma vez saí com algumas comprinhas de lá. Produtos com valores bem abaixo do mercado.
  • Bleeding Edge é uma delícia. Tem uma pegada de Overwatch, mas com foco em luta corpo-a-corpo, algo que está entranhado no DNA da Ninja Theory. Dinâmico e gostoso de jogar.
  • A Microsoft precisa incluir produtos e acessórios da marca em sua loja no estande. Muita gente queria mais que uma camiseta ou uma caneca.
  • Um dos brindes mais legais da feira estava disponível para quem jogasse Gears of War 5 no evento. As filas não eram gigantes e rodavam rápido (pois o jogo já está disponível no GamePass e cada rodada na estação atendia 16 jogadores) e você saia de lá com um colar com as engrenagens (Cogs) muito bacana e de ótima qualidade.
  • Era impossível não sentir estranhamento ao olhar o estande da Playstation e ver uma estação rodando InFamous: Second Son – um jogo de 2014.
  • Todas as estações de VR da Playstation rodavam um único jogo – Iron-Man VR. Será que a Realidade Virtual vem perdendo força?
  • O estande de Magic: The Gathering: ARENA trouxe uma das atividades mais divertidas do evento, colocando o público contra Ricardo “Manowar” Cabrine em um game no qual ele tinha de adivinhar as cartas do jogo com poucas informações. Impressionante a quantidade de cartas e detalhes que estão armazenados na cabeça do cara.
  • O sistema de agendamento da Playstation reduz filas no estande, mas desvaloriza quem chega cedo no evento e prioriza quem dá sorte na roleta russa que é garantir uma vaga no aplicativo – ainda mais considerando-se a qualidade da internet móvel dentro do espaço do evento. Consegui alguns agendamentos através dele nos dias mais calmos, mas entendo o desapontamento de quem não conseguiu.
  • Segundo relatos, parece que os atores de GTA V arrumaram dores de cabeça para a organização da BGS, exigindo mudança de hotel e atrapalhando horários. Como se não bastasse, fora do meet and greet organizado pelo evento, parece que os mesmos tentaram cobrar valores de até R$ 250 por autógrafos e fotos para os fãs. Uma enorme decepção.
  • Feliz em ver algumas caixinhas de The Elder Scrolls: Skyrim na fila para receber autógrafos do Charles Martinet. Claro que o cara é imediatamente reconhecido pelo seu trabalho com a Nintendo, mas é legal ver gente que o associa a incrível voz de Paarthurnax.
  • Triste em ver grandes nomes como Al Lowe e Yoshinori Ono atraindo poucas pessoas em seus eventos durante a BGS. Precisamos reforçar a importância destas pessoas para o mercado.
  • O estande da Dazz, felizmente escondidinho em um canto, contava apenas com um “carro gamer” e mulheres com roupas curtas dançando funk. Por favor, atualizem-se!
  • Palmas para a área de Pinballs da feira. Diversas máquinas incríveis e liberadas para jogar, fazendo a alegria nostálgica de adultos e atiçando a curiosidade dos mais novos.

Designer por profissão e gamer de coração, Raphael é apaixonado por jogos que sejam imersivos e permitam que ele se esgueire por trás de seus inimigos, eliminando-os de forma silenciosa e impiedosa.