Poucos jogos conseguem chegar aos consoles com tanto mistério e expectativa quanto Pragmata conseguiu. Desde os primeiros teasers, a Capcom deixou claro que queria criar algo diferente, uma nova franquia que não se encaixasse nos moldes tradicionais de ação ou terror pelos quais o estúdio é amplamente conhecido. O resultado é um shooter aventura de ficção científica que mistura exploração, combate estratégico e uma narrativa bastante emotiva, tudo isso ambientado em uma estação lunar futurista.
Este review não contém spoilers da trama, mas vai explorar os elementos que tornam Pragmata uma experiência única, além de tentar mostrar também os pontos que ainda acredito que podem ser melhorados.
Ambientação e atmosfera
A primeira coisa que chama atenção em Pragmata é a ambientação. A estação lunar é ao mesmo tempo deslumbrante e opressora. Ao mesmo tempo em que a estação parece gigante, ela parece abandonada e assustadora.
- Pontos fortes:
- Cenários detalhados, com iluminação realista e efeitos de gravidade que influenciam a jogabilidade em diversos momentos.
- A sensação de isolamento é palpável, mas nunca cai no vazio — há sempre algo acontecendo, seja uma ameaça ou uma nova descoberta intrigante pra te prender na história.
- Pontos de melhoria:
- Alguns ambientes podem parecer repetitivos com o passar do tempo.
- A exploração poderia ser mais recompensadora em termos de segredos ou colecionáveis. Tudo parece escondido até você pegar o jeito e saber exatamente onde deve procurar.
Jogabilidade
A Capcom apostou em um novo sistema de combate que mistura ação direta com estratégia. Você deve hackear os inimigos para conseguir dar dano e os hacks do jogo são um teste de agilidade misturados com puzzle. É diferente de tudo que você já viu em outros jogos!
- Pontos fortes:
- Novamente falando das mecânicas de gravidade alterada que tornam cada confronto diferente do anterior.
- O uso de recursos tecnológicos, como hackeamento e drones, dá variedade às batalhas, além de serem inovadores em vários aspectos.
- Controles são muito responsivos e bem calibrados.
- Pontos de melhoria:
- A curva de aprendizado pode ser um pouco íngreme para jogadores casuais devido à velocidade em que tudo acontece durante o jogo.
- Em alguns momentos, a IA inimiga parece previsível demais e fica fácil combater alguns tipos de inimigos.
Personagens
Aqui está o coração do jogo. Os protagonistas são realmente incríveis e o apego é inevitável. Cada um a seu jeito, me peguei várias vezes envolvido profundamente com a relação entre Hugh e Diana.
- Hugh é o protagonista humano, um astronauta sobrevivente que carrega o peso de uma missão e da sobrevivência. Ele é construído como alguém cético, mas com muitas nuances emocionais que vão aparecendo no decorrer da história.
- Diana é a criança androide que acompanha Hugh. Ela é o contraponto emocional, trazendo leveza e esperança em meio ao caos e as batalhas. Sua presença é marcante e cria uma dinâmica que lembra outras duplas icônicas dos videogames como Kratos e Atreus ou Joel e Ellie, mas com identidade própria e muito bem escrita.
A relação entre os dois é o que sustenta a narrativa. Não é apenas sobre como sobreviver ao caos, mas sobre criar laços importantes e vencer desafios em um ambiente totalmente hostil.
Narrativa
Sem dar spoilers, a história de Pragmata é sobre humanidade em meio à tecnologia. Sobre como nos relacionamos com máquinas capazes de pensar, e até sentir, como humanos.
- Pontos fortes:
- Ritmo bem dosado entre ação e momentos contemplativos.
- Temas universais como confiança, sobrevivência e esperança.
- Diálogos naturais e cheios de carga emocional.
- Pontos de melhoria:
- Algumas partes da trama poderiam ser mais desenvolvidas, especialmente em relação ao passado dos personagens.
- O final deixa perguntas em aberto, o que pode frustrar quem espera uma conclusão da história.
Gráficos e som
Capcom utilizou todo o poder das novas gerações de consoles.
- Gráficos: Texturas detalhadas, efeitos de luz impressionantes e animações fluidas.
- Som: Trilha sonora atmosférica, que alterna entre momentos de tensão e calma. Os efeitos sonoros reforçam a sensação de estar em um ambiente lunar totalmente isolado.
Experiência geral
Pragmata não é apenas um jogo de ação; é uma experiência emocional. Ele exige atenção, paciência e disposição para mergulhar em uma narrativa que se constrói aos poucos e que só melhora com o passar das horas de jogo.
- Pontos fortes:
- Originalidade dentro do catálogo da Capcom.
- Combinação equilibrada de ação e emoção.
- Potencial para se tornar uma franquia duradoura.
- Pontos de melhoria:
- Ritmo pode ser lento para quem busca ação constante.
- Algumas mecânicas ainda precisam de refinamento.
Conclusão
Pragmata é um jogo que não tenta agradar a todos, mas conquista quem se dispõe a entrar em sua proposta. Ele é ao mesmo tempo grandioso e intimista, tecnológico e humano. A Capcom conseguiu criar uma nova IP que já mostra sinais de longevidade podendo evoluir ainda mais em futuras sequências que devem vir.
Se você gosta de jogos que misturam ação com narrativa profunda, Pragmata é uma experiência obrigatória. O jogo não é perfeito, mas justamente por isso parece tão humano — e talvez seja essa a sua maior qualidade.
