PC Playstation Review Xbox

Review: Crash 4 – It’s About Time

Originalmente desenvolvido pela Naughty Dog, Crash Bandicoot foi uma das primeiras grandes tentativas de levar os jogos de plataforma para o 3D e por mais que tenha encontrado seus próprios obstáculos (como a dificuldade de mensurar com precisão a profundidade dos objetos), o carisma meio transloucado da personagem cativou a todos, rendendo-lhe duas continuações e um jogo de corrida (na esteira do sucesso da franquia Super Mario Kart).

Entretanto, depois deste sucesso, Crash Bandicoot encontrou dificuldades para seguir em frente, tentou expandir para outros gêneros e acabou desaparecendo em um hiato que foi de 2011 a 2016, quando Crash: N-Sane Trilogy (a coletânea reconstruída dos três primeiros jogos) foi anunciado (seguido então por Crash Team Racing em 2018), deixando todos com a sensação de que havia algo mais no ar, Crash parecia estar voltando, mas ainda parecia difícil enxergar seu futuro além das brumas rosadas da nostalgia.

Mas com o anúncio de Crash 4: It’s About Time, a sensação dúvida pairou no ar. A nostalgia – com toda a leniência para os problemas antigos que ela proporciona – seria suficiente para um novo jogo da personagem? As apostas subiram e será que a nova aventura de Crash Bandicoot e sua turma entregam mais que apenas o apelo emocional para os antigos fãs?

Já era hora!

Desenvolvido pela Toys for Bob e publicado pela Activision, Crash 4: It’s About Time (um trocadilho com o tema do jogo, de viagem no tempo, e o sumiço da personagem por anos) soa como um jogo desenvolvido por uma equipe que entende o que tornava os jogos originais tão divertidos e carismáticos e o que eram apenas idiossincrasias do seu tempo e limitações e problemas de design.

Trata-se de um equilíbrio complicado de preservar certas características do jogo e modernizar certos pontos, sem que o título pareça datado ou desconecte-se totalmente de sua história.

Crash e Coco vão se unir em uma nova aventura pelo espaço-tempo.

Falando em história, temos uma narrativa bastante simples, mas contada com muito carisma e aqueles toque de “desenho animado”. Dr. Cortex e N. Tropy são libertados de sua prisão no passado por Uka Uka, mas seus esforços rompem os limites do espaço-tempo. Junto de sua irmã Coco e a máscara Aku Aku, Crash precisa se unir às quatro Máscaras Quânticas para derrotar os vilões e salvar o universo.

Para quem nunca jogou Crash, trata-se de um jogo de plataforma 3D linear, variando entre fases totalmente 3D, outras que simulam um side-scrolling e algumas set pieces de perseguição. Uma de suas características mais marcantes é a dificuldade, que possui uma subida íngreme durante o jogo e pode se mostrar desafiadora mesmo para quem deseja apenas fechar o jogo. Para quem busca todos os colecionáveis, trata-se de um feito e tanto.

Para quem já jogou, a primeira boa notícia é que com a mudança de engine a Toys for Bob corrigiu duas picuinhas que eu tinha com a N-Sane Trilogy. Primeiramente, agora o jogo corre a 60 fps nos consoles Playstation 4 Pro e Xbox Series X (mesmo que ao custo da resolução) e em segundo lugar, não temos mais a maldita colisão que fazia com que Crash deslizasse para o morte na beira de plataformas.

Mesmo sem reduzir o nível de dificuldade do jogo, os saltos precisos agora são mais fáceis de executar. Para lidar com o problema de avalição de distância, agora o protagonista conta com uma “sombra” circular sob ele durante os pulos e os trechos mais difíceis de plataforma geralmente estão nas sessões em que você está limitado ao deslocamento lateral.

Como nos títulos anteriores, o protagonista pode pular sobre seus inimigos ou golpeá-los girando como um furacão e saltos, saltos duplos e deslizes são utilizados para superar os obstáculos. Finalizar cada estágio do mapa é apenas parte do desafio do jogo, pois dominá-lo significa encontrar a gema escondida, vencer o desafio contra o tempo, quebrar todas as caixas da fase, pegar o máximo de frutas possíveis e finalizá-la morrendo o mínimo possível.

O estilo clássico volta com belos gráficos e muita personalidade.

A forma como vidas são contabilizadas é outra forma como Crash 4 foi modernizado. Embora ainda permita que você jogue da forma tradicional (com contagem de vidas e quando elas terminam, você retorna ao início da fase), o menu de opções recomenda o novo formato de vidas infinitas. Isto permite que a dificuldade seja elevada, mas minimiza o risco da frustração de ter de iniciar o estágio diversas vezes, mantendo o foco no desafio imediato. Mas para que a morte não se torne banal, Crash 4 contabiliza o número de vezes que você morreu em uma fase e premia o jogador por finalizá-la com menos de 3 mortes.

Sempre que cumpre com diversos desafios de uma fase, o jogador é premiado com uma nova roupa para o Crash ou a Coco, que agora pode ser utilizada como personagem principal durante todo o jogo (exceto as fases introdutórias) e possui tantos visuais alternativos quanto seu irmão.

Ugabuga!

Com uma história geralmente simples e mecânicas que se repetem, um dos maiores desafios de um jogo de plataforma é, provavelmente, mantê-lo fresco e interessante do início ao fim. Crash 4 lida com esta questão oferecendo um ritmo de novidades muito bem equilibrado.

Claro que as fases em que você joga com o Crash ou a Coco superando plataformas são a vasta maioria, mas cada vez que o modelo está em vésperas de cansar, o jogo introduz alguma novidade que lhe dá a sensação de novidade, na forma de um novo personagem ou uma das máscaras quânticas.

O mapa divide-se em momentos no tempo e cada fase oferece muitos desafios.

Um Dingodile aposentado, uma deslocada e melancólica Tawna Bandicoot de um universo alternativo e até mesmo Dr. Cortex se apresentam como personagens jogáveis – cada um com seus próprios movimentos e habilidades – em fases próprias e cheias de desafios personalizados. Já as máscaras quânticas dão novas habilidades ao Crash e a Coco, como reduzir a velocidade da passagem do tempo ou girar como um furacão de energia ou inverter a gravidade. Todas estas novas habilidades são utilizadas para superar os obstáculos e dão variedade ao ritmo do jogo.

O Fim é Só o Começo

Concluir Crash 4: It’s About Time é apenas o começo. Para quem curte um desafio, o título oferece muitas opções para estender a jogatina e demonstrar suas habilidades.

Superar todos os desafios de uma fase é apenas metade da tarefa, pois cada estágio concluído libera sua versão N-Verted, que além de filtros diferenciados na imagem também oferecem novos desafios e uma dificuldade elevada, rendendo novas gemas ao jogador.

O jogo roda a 60 fps nos consoles Pro e One X, mas a taxa de frames fica prejudicada nos consoles Base e One S.

Além das fases invertidas, fitas VHS espalhadas pelo jogo dão acesso a fases especiais onde Crash precisa superar desafios do Dr. Cortex, onde quebrar uma caixa errada ou errar um pulo significa a falha.

Com isto, o Crash 4 oferece um ótimo fator replay, desafiando o jogador a encontrar todas as gemas, descobrir seus segredos e obter todas as relíquias perfeitas.

Você tem a minha atenção, Uka Uka

Em resumo, Crash 4: It’s About Time encontra o equilíbrio entre a nostalgia e a novidade e entrega um jogo divertido, desafiador e com horas e horas de jogo para quem quiser possuir todas as suas exigentes conquistas.

Algumas de suas peculiaridades do passado ainda estão presentes e podem resultar naquela pontinha momentânea de frustração. Mesmo que em número menor, as fases em que você monta em algum animal possuem jogabilidade estranha, imprecisa e escorregadia e mesmo com a sombra que auxilia nos pulos, existem momentos em que é difícil precisar o alinhamento de uma caixa flutuante.

Mas estes momentos são rapidamente esquecidos e superados por desafios interessantes e as rápidas variações oferecidas pelos novos personagens e habilidades.

Novos personagens jogáveis, como a Tawna e Dingodile, ajudam a dar variedade ao jogo.

A nova aventura dos Bandicoots pelo tempo transpira carisma e oferece um desafio recompensador para quem deseja apenas terminar o jogo. Se você busca os 100%, prepare-se para suar no controle e demonstrar suas habilidades!

Diferentemente de N-Sane Trilogy, que se sustenta na nostalgia e acaba por evidenciar os problemas e particularidades dos jogos originais, o novo título moderniza a franquia e acerta onde outras desenvolvedoras derraparam. Ao invés de girar como o Crash por gêneros diversos, a Toys for Bob conseguiu filtrar as qualidades e problemas da trilogia original e saltou para o futuro sem descaracterizar o passado.

Crash Bandicoot está de volta!

Crash Bandicoot 4: It’s About Time está disponível para Playstation 4, Xbox One e Windows PC. O review foi desenvolvido com base na versão para Playstation 4 Pro, gentilmente cedida pela Activision.