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Review: Watch Dogs Legion

Watch Dogs Legion, a nova aventura de mundo aberto da Ubisoft, se passa em uma Londres distópica onde um ataque terrorista faz com que a cidade seja obrigada a aceitar uma força paramilitar no comando e toda a população local passa a ser vigiada constantemente em todos os momentos da sua vida. Em casa, na rua, no transporte… tudo é observado! 

Uma premissa mórbida de um futuro ruim, não? Porém discussões como imigração, violência policial e racismo, causados pelo referendo na Grã-Bretanha em 2016, são bastante presentes na cabeça dos ingleses. A Ubisoft mergulhou de cabeça nesses problemas e ao mesmo tempo que faz piadas com isso, leva esses fatos bastante a sério! É uma homenagem um tanto quanto irônica, mas a mensagem parece ser bastante clara! 

A Ubisoft Montreal tentou fazer de Watch Dogs Legion uma sobremesa gostosa e inesquecível, mas algumas ideias apresentadas e temáticas do jogo estão diretamente em conflito com a forma que o jogo se desenvolve e Legion não melhora a série Watch Dogs tanto quanto esperávamos. A tão alardeada, e aguardada, mecânica inovadora de “jogue com qualquer NPC, basta recrutá-lo” não chega a atingir o potencial que todos previam e acaba deixando a desejar. 

O mundo aberto do jogo é bastante agradável, mas não leva o gênero além. Faltam novidades e as ideias ambiciosas do jogo não são legais o suficiente para que jamais sejam esquecidas. Embora tenha me divertido bastante com a adaptação de Londres (não conheço a cidade, mas acabei visitando o Google Maps algumas vezes por conta do jogo) e dirigir na “mão inglesa”, que foi um dos maiores desafios que tive durante o jogo. 

Nós somos o DedSec!

Legion se inicia com você se infiltrando no Parlamento inglês para desarmar uma bomba. Você é um membro do DedSec, o movimento ilegal de resistência que tem como principal ideal fazer justiça com as próprias mãos tendo como alvo os poderes superiores e corruptos do país. Essa missão de abertura é um tutorial de como você vai usar a furtividade, o combate e as técnicas de hackeamento que você deverá dominar para usar durante toda a campanha. O jogo teve duração de aproximadamente 25 horas nas mãos desse que vos escreve! 

O evento da bomba se mostra um cataclisma do que a cidade passará nos próximos momentos do jogo e serve de pano de fundo para começar a mostrar como a Albion (a força paramilitar que controla Londres) conspira por trás das cortinas. A história começa ali e você é o membro que irá reativar o DedSec.  

Recrutar alguém é a sua primeira tarefa para aumentar a força do DedSec e lutar contra a opressão da Albion. Você pode optar por ligar o sistema de “morte permanente” e toda vez que um personagem morrer em uma missão, ele deixará de fazer parte do seu time. Eu joguei a campanha dessa forma e confesso que foi bem difícil perder alguns personagens. Porém isso fez com que eu fosse mais cauteloso nas missões ou usasse personagens não tão fortes para iniciar as missões e “conhecer o terreno” a frente. 

Para o recrutamento, normalmente é necessário fazer uma missão de “favor” para o NPC. Algumas são curiosas, outras repetitivas, mas a maioria consiste em livrar a cara do recrutado de alguma maldade da Albion. 

Drones por Londres… a cidade recriada é muito legal de explorar.

A possibilidade de jogar como qualquer pessoa é bastante inovadora e faz com que você passe bastante tempo procurando indivíduos “diferentes” pela cidade. Conquistas te obrigam a procurar por jogadores de paintball, apicultores e até estátuas vivas, que também querem lutar contra as forças fascistas da Albion. Assim que formei minha equipe, larguei mão de procurar novos recrutas e usei esses personagens durante toda a campanha. Quando algum deles morria em missão, ou por vacilo mesmo como quando caí de um prédio com o meu melhor personagem, eu me via, automaticamente, procurando por um personagem parecido que pudesse substituir aquele que acabara de perder. 

A estética de seus personagens acaba sendo o principal motivo para recrutá-los, já que suas habilidades e dispositivos de tecnologia disponíveis não fazem tanta diferença, exceto, talvez, por alguns NPCs. Os gadgets são personalizáveis para qualquer personagem e a qualquer momento, exceto em áreas restritas. Existe uma grande variedade de armas letais e não letais, você pode escolher de acordo com o seu estilo de jogo. Uma parte negativa do jogo é que muitos, muitos mesmo, quebra-cabeças são resolvidos com drones e os pequenos robôs-aranha, que acabam entrando em áreas bloqueadas de forma rápida e discreta.  

Um pouco da natureza do jogo mostra algumas falhas de design de fases, bastante repetitivo, de Legion. Algumas estratégias são sempre as mais usadas e usar a aranha-robô ou o drone de carga são as principais delas.  

Em alguns momentos a troca de personagens é cansativa e causa tempos de loading bastante longos nos consoles atuais (Xbox One e PS4). Ainda não testamos o jogo nos novos consoles e devemos atualizar esse review assim que o Xbox Series X e o PS5 chegarem em nossas mãos. Legion tem a troca dos personagens como uma de suas inovações, mas sinto que nos consoles atuais essa grandeza não pode ser totalmente percebida. 

Seja qualquer um… mesmo que isso não seja tão bom!

A história gira em torno do DedSec tentando eliminar uma sequência de criminosos fantasiados de figurões de Londres, todos apresentados como “impossíveis de se alcançar” mas facilmente derrotáveis durante o jogo. O desafio não é uma das características de Watch Dogs Legion. 

Esses vilões acabam sendo comicamente maus e desfilam por Londres com as piores características da humanidade, sacrificando vidas apenas para alcançarem objetivos pessoais. Não existe esforço em humanizar os vilões e nem em mostrar suas motivações, mesmo que distorcidas. É uma pena já que alguns deles poderiam ser alguns dos melhores vilões dos jogos da Ubisoft, mas o foco é mudado muito rapidamente e eles não conseguem ser tão memoráveis.  

Londres é dividida em distritos em Legion. Esse trabalho é fantástico e mostra Londres com uma visão futurística onde as ruas tem um equilíbrio bem interessante entre o realismo atual e a futurística visão de miséria causada pela Albion. É muito gostoso explorar a cidade mesmo ela parecendo menor do que as cidades de Chicago e São Francisco, mostrada nos jogos anteriores. 

Após completar um número de missões em cada um dos distritos, você pode “libertá-lo” da Albion. Essas missões são as mais criativas de Legion. Você deve sabotar, colher provas, tirar fotos, invadir, destruir, correr de carro, pilotar drones de ataque e algumas coisas mais para que os moradores do distrito vejam que algo está sendo feito e que eles precisam participar. Quando completa as missões dos distritos, os mesmos se revoltam contra a Albion e as coisas ficam mais fáceis para os personagens quando estão por lá. 

Essas missões poderiam ser em número maior e não tão distantes umas das outras, ou com alguns outros objetivos mais relacionados a história do jogo, talvez de forma mais linear, para que você não precise ficar indo e vindo o TEMPO TODO através de motos e carros ou através das viagens rápidas pelo sistema de metrô de Londres, que acarreta em loadings tão grandes quanto os da troca de personagens. 

 Infelizmente, mesmo depois de libertar cada distrito, não há muito mais o que fazer senão as missões de história. A diminuição de presença da Albion, e de outros inimigos que ocupam Londres, não faz com que os cidadãos londrinos tenham sua reação de forma relevante à história que de desenrola. O DedSec ainda é o bode espiatório que leva a culpa dos ataques feitos a Londres. Isso acaba por enfraquecer a mensagem que a revolução tenta passar e faz o mundo parecer não se importar com isso. Acredito que os jogos anteriores sejam muito mais efetivos no aspecto de “pessoas que querem fazer a diferença”. 

Talvez pelo fato de você poder ser qualquer um em Legion, o desenvolvimento do personagem que toca a história central deixa de existir e com isso a empatia pela causa acaba diminuindo.   

Vale lembrar que o maior destaque de um personagem em Legion é a inteligência artificial Bagley, que é sua companheira em missões e traz o alívio cômico do jogo com comentários cheios de sarcasmo em situações inusitadas durante a história. Ele é fantástico e mesmo sendo “apenas um programa de computador”, é o responsável por alguns dos momentos mais humanos e emocionantes do jogo. Sem spoilers aqui, mas eu não imaginava derramar lágrimas por conta de uma inteligência artificial com sarcasmo tão elevado.  

Veredito  

Watch Dogs Legion é um jogo bastante agradável, em um mundo aberto que mostra uma Londres distópica e muito legal de ser explorada, mas a mecânica ambiciosa tão alardeada pela Ubisoft parece não chegar ao tão esperado ápice em nenhum momento do jogo. 

Jogar com qualquer NPC do jogo é uma premissa fascinante, mas não existe uma liberdade suficiente que justifique toda a exploração e combate pelo qual você deve passar para montar o seu elenco. O jogo também falha na narrativa, que tenta seguir uma linha entre um comentário bastante sério e crítico sobre uma sociedade moderna com as consequências do fascismo em uma cidade grande, e um filme de espionagem daqueles mais irônicos e que ninguém leva a sério. Tudo é muito dúbio e acaba confundindo os jogadores. 

E o resultado é que Watch Dogs Legion acaba falhando em alcançar até o que foi o seu antecessor. Embora com muitas melhorias em Legion, a história de Watch Dogs 2 é muito mais palatável e completa. Apesar disso, me diverti demais “correndo” por Londres como uma velhinha de arma na mão ou sendo um hooligan e mandando meus amigos descerem a porrada em todo mundo. Só não sei se eu realmente esperava a série indo totalmente nesse caminho… se afastando de um jogo mais sério e indo na direção do humor!  

Prós 

  • Londres, mesmo nessa forma distópica, é bem legal de ser explorada 
  • Bagley é um personagem brilhante que você rapidamente ficará apaixonado por ele 
  • O jogo é bastante bonito e parece bem fiel ao mundo real. 

Contras 

  • A história é rasa e inconsistente 
  • Falta espaço para o vilão brilhar 
  • O sistema do jogo não atinge o ápice esperado 

Testamos o jogo através de cópia gentilmente cedida pela Ubisoft Brasil através de sua assessoria. A plataforma utilizada foi o Xbox One X!