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Review: Death’s Door

Que a Devolver Digital é uma das publishers que mais tem acertado nos últimos tempos a gente já sabe. Sucessos como Fall Guys, Gato Roboto, The Messenger, My Friend Pedro e Katana Zero estão aí pra provar o que estou dizendo, mas… qual é a de Death’s Door? 

Desenvolvido pela Acid Nerve e publicado pela Devolver Digital, Death’s Door é um jogo de ação/aventura em perspectiva isométrica, onde você controla um corvo que trabalha para uma mórbida empresa que trabalha com a morte! E com portas! 

Sua missão, como um novo funcionário, é recuperar uma grande alma em particular. Porém essa alma é roubada, logo que você completa a missão, por uma figura enigmática e a história começa. Nesse momento um detalhe bastante pertinente é informado: você é imortal enquanto está no mundo dos corvos, mas envelhece e pode morrer se está dentro das portas buscando por almas e só pode voltar para o mundo dos corvos com a sua missão completa! Por trás dessa busca por essa alma e pelo gancho que o jogo oferece logo no começo, você irá encontrar uma história bastante emocionante, cheia de reviravoltas e mistérios, além de muitas interpretações diferentes para a vida e a morte, a maioria delas com boas e inteligentes referências. 

Morte! Portas! Dilemas sobre a vida!

Seu persongaem começa com uma arma de ataque a distância (arco e flecha) e uma arma de curto alcance (espada). Bater e esquivar são as mecânicas desse jogo no princípio e a esquiva pode ser feita rolando o seu corvinho pela tela com uma espécie de dash/esquiva. Com o passar das fases novas armas e habilidades vão sendo desbloqueadas e você poderá acessar algumas áreas antes inatingíveis, o que faz com que você volte a lugares já explorados antes. Mas nada que incomode ou deixe o jogo repetitivo. Aliás, esse jogo é quase nada repetitivo, apesar de alguns inimigos serem aproveitados em diversos biomas contidos no jogo. 

Uma mecânica bastante interessante é a de limitar os ataques de longa distância e carregar a quantidade desses ataques através de ataques corpo-a-corpo. Para dar quatro flechadas nos inimigos, será preciso antes usar quatro ataques corpo-a-corpo para carregar os ataques de longa distância. Isso faz com que o jogador tenha a necessidade de equilibrar o seu jogo ofensivo contra inimigos mais fortes. 

Puzzles! Portas! Mais morte! Mais dilemas sobre a vida!

Os saves são feitos logo após você entrar em uma porta, então se você morrer duas horas depois de ter entrado na sua última porta, seu checkpoint será a última porta. Mas não se preocupe, existem algumas portas durante as fases e você pode entrar e sair nela para garantir o checkpoint. É mais fácil do que parece, mas não muito! Morri por diversas vezes longe das portas pois fiquei esperando um local onde poderia recuperar a vida e acabei morrendo antes. Para recuperar a vida você deve plantar sementes em alguns vasos e comer a planta que brota do vaso, ela faz você recuperar toda a sua vida. 

A variedade de armas não é grande e elas pouco se diferenciam umas das outras, tanto que fiz mais que 90% do jogo usando a espada inicial, mas você pode usar adagas, um machado e até um guarda-chuva (existe uma conquista no jogo para isso). Os golpes corpo-a-corpo servem, também, para defletir a maioria dos projéteis do jogo. Já as habilidades são bastante diferentes entre si e essenciais para o desenvolvimento do personagem, você pode disparar flechas, bombas, bolas de fogo e usar um gancho para alcançar lugares antes impossíveis de forma bastante criativa. Os puzzles do jogo são bastante legais e envolvem desde lógicas mais simples (empurrar objetos) e também mais complexas (resolver quebra-cabeças através de reflexos no piso, por exemplo). 

Preto e branco do mundo dos corvos contrasta com o colorido dos biomas do jogo!

Os biomas do jogo são bastante coloridos e diferentes entre si e contrastam de forma ousada com o preto e branco do escritório da empresa onde os corvos trabalham. 

O desafio é moderado e cheguei a morrer mais de cinco vezes em alguns dos cheföes de fase do jogo, o que me deixava bastante empolgado para ver o que estava por vir. Essas batalhas te obrigam a usar todo o seu arsenal de habilidades para atacar e se esquivar dos golpes dos chefões e dos inimigos. 

Muitas áreas só são acessíveis através de pequenos puzzles, mas tenho certeza que você não terá dificuldades para ver uma parede rachada ou locais que só podem ser alcançados com o gancho, mas a maioria é bastante fácil de se enxergar ou acessar. 

Fique atento aos nomes dos inimigos, ao comportamento de alguns NPC’s e você verá que o mundo de Death’s Door é uma grande homenagem a muitos outros jogos que você já jogou e séries que você já viu. Todas homenagens são muito bem elaboradas e valem muitas risadas em vários momentos. Alguns mistérios do jogo só são resolvidos nos momentos finais e as reviravoltas todas estão lá também. 

Epitácio! Um dos personagens mais legais do jogo!

Death’s Door é muito menos sombrio e muito mais divertido do que parece, com muitos momentos para causar a reflexão sobre o que é morrer, sobre o que é o respeito pelos mortos e sobre rituais de passagem de um mundo para o outro. É bastante profundo em alguns momentos e bastante divertido com suas piadas de humor ácido sobre a morte. Nos faz pensar bastante sobre o momento da morte, mostrando que esse não é um momento que devemos temer, e sim um momento que devemos esperar. Um momento que faz parte do ciclo da vida. Um momento que certamente vai acontecer… com todo mundo! 

Veredito: Death’s Door é uma grata surpresa. Um jogo despretensioso e ao mesmo tempo profundo, que mistura muitas mecânicas de sucesso de forma majestosa. Jogo obrigatório para aqueles que gostam de bons jogos e boas histórias!
  • Gráficos: O mundo preto e branco dos corvos contrasta demais com o colorido dos mundos do jogo e dos chefões de fase. 
  • Som: As músicas do jogo são feitas todas no piano e ao mesmo tempo que transmitem paz, conseguem transmitir desespero e desafio nos momentos certos. 
  • Jogabilidade: Gostei muito do sistema de carregar seus ataques de longo alcance através dos seus ataques corpo-a-corpo, isso faz com que o balanceamento do jogo fique bastante interessante. 
  • Diversão: Death’s Door consegue combinar uma excelente jogabilidade, sem bugs, com uma vontade de explorar o jogo até seu último segredo, passando por um excelente sistema de combate e uma história bastante interessante. 
  • Replay: Se você gosta de conquistas, certamente jogará o jogo mais de uma vez. E vale a pena! 

Death’s Door está disponível para consoles da família Xbox e para PC, com preço de R$74,95 no Xbox e R$49,95 no Steam. 

Review feito no Xbox Series X com cópia gentilmente cedida pela Devolver Digital.